segunda-feira, maio 02, 2016

Cinco pedrinhas


Estou sentada à beira mar, perscrutando o horizonte.

Uma onda, debruada a espuma branca, aproxima-se do espaço onde me encontro levando à minha cabeça a imagem de um tsunami (qual a razão por que deixou de se chamar maremoto, pergunto-me, sem resposta).

A onda, ao recuar, escavou um sulco que passou a ser o abrigo das cinco pedrinhas: da cinzenta, da amarela (pareciam ambas vomitadas dum qualquer vulcão em erupção), da cor de rosa, da transparente, (tão linda que mais parecia um diamante).

A onda deixou este rasto: a pedrinha cinzenta continuou igualmente cinzenta. A pedrinha amarela, amarela. A pedrinha cor de rosa, cor de rosa, captou onze raios de sol e ganhou alguns laivos dourados. Achou-se mais rica e escondeu-se na palma da minha mão.

Foi jogar às cinco pedrinhas. Tudo é um jogo. A vida é um jogo.