quarta-feira, outubro 22, 2008

O Mistério das Fotografias

Tinha três anos. Talvez já cinco. Não me lembro. Acompanhava a minha Mãe, sempre que ela visitava amigas. Lembro-me de algumas, lembro-me de algumas das suas casas, mas para este texto não é importante. O que importa e do que me lembro claramente é que em todas as salas havia sempre muitas fotografias. Fotografias penduradas em paredes. Fotografias pousadas em camilhas. Fotografias a preto e branco, que a cores ainda não as havia. Gostava de as perscrutar. Gostava de as admirar. E dizia: - esta pessoa já morreu, esta está viva, esta outra pessoa já morreu, esta ainda não. Zangava-se a minha Mãe: - Não digas disparates! Mas o que é certo é que acertava sempre.
Hoje não sei distinguir, perdi o jeito de penetrar nas fotografias, mas sei que era nos olhos que estava o mistério. Os olhos das pessoas vivas eram diferentes daqueles das pessoas que já nos haviam deixado. Destas, eram olhos vazios, eram olhos sem alma. A alma deixa-se fotografar. O corpo permanece nas fotografias, mas a alma não.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Com Acordo ou sem ele...

mudam-se os tempos, muda-se a forma de escrever...

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