segunda-feira, setembro 08, 2008

Voltei

Voltei de férias.
Voltei e encontrei um prémio.
Voltei e encontrei um desafio.
Do prémio, digo apenas que veio da Madalena, que é uma querida, que é uma amiga muito especial e que agradeço, embora não o mereça.
Do desafio, escolho o livro de Dorothy Rowe, “Time on our Side – Growing in wisdom, not growing old” e escrevo assim:
Quando era pequena, queria ser grande. Para mim, ser grande era ter dezoito anos, para fazer tudo o que me apetecesse, quando quisesse. Era controlar o tempo. Era ter o tempo todo para mim. Passei os dezoito, passei os dezanove, passei os vinte e, cada vez mais, o tempo não era meu. Eu não era eu só eu, mas um conjunto. Havia um tempo para almoçar, um tempo para estudar, um tempo para jantar, um tempo para dormir. Lembro-me de pedir ao meu Pai para ir ao cinema, à sessão das dezoito horas, e de ele me responder: - Claro, desde que estejas à mesa, para jantar, às vinte horas! Portanto, do conjunto que era eu, eram também os meus pais e a minha irmã. E o conjunto, que era eu, foi aumentando, pelo marido, pelos filhos, pelos amigos...
De repente, dei-me conta de que o tempo era apenas um inimigo meu. Inimigo que fazia parte do conjunto que era eu. O tempo, o inimigo, passa e eu envelheço. E o que é envelhecer? Na escola, eu na primeira classe, achava que as meninas do liceu eram velhas. As do último ano do liceu eram as mais velhas. Então a minha Avó, de quarenta e cinco anos, era velhíssima. Lembro-me de, há muito tempo, numa reunião de amigas, termos dito: - Somos quase quarentonas!
Não sei bem quando, conversei com o meu inimigo, o tempo, isto é, comigo mesma e concluí que tinha errado no juízo que fiz dele. O tempo tinha-me dado tanto. Toda a minha vida não teria existido sem ele. O tempo é o amigo que nunca me deixa. Tudo o que aprendi, foi ele que me ensinou. Tudo o que sou, foi ele que me fez. Ocorreu-me perguntar-lhe, perguntar-me: - Por que razão não nascemos velhos, com muito tempo, com muita sabedoria, e não crescemos no caminho da juventude? Estou à espera da resposta.

4 Comentários:

Blogger Carlota disse...

Mas que grandes férias!
Beijinho.

terça-feira, setembro 09, 2008 8:11:00 da manhã  
Blogger Madalena disse...

Laurinha, obrigada por teres aceite o desafio. Matéria de muita e boa reflexão: o tempo. Obrigada. Beijinhos gratos pela lição sobre o tempo!
(Já te contei que me lembro de ter achado que aos seis anos já me podia casar?!)

terça-feira, setembro 09, 2008 10:50:00 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Já dizia o Charles Chaplin que a vida devia começar ao contrario, pelo morrer:
"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.

Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando....

E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?"

beijinho
beirense

sábado, setembro 20, 2008 11:18:00 da manhã  
Blogger CMP disse...

Adorei o texto.Faz-me pensar.

sexta-feira, outubro 17, 2008 9:34:00 da tarde  

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