terça-feira, junho 24, 2008

A Mesa

A mesa é imensa. Como aquelas dos castelos, com duas pessoas sentadas, uma em cada cabeceira. Mas esta mesa quis-se imensa porque desejava-se que sentasse muitas pessoas. E assim foi acontecendo. Por várias vezes teve ainda de ser acrescentada. Com belas tábuas, em vinhático, cuidadosamente talhadas e encaixadas pelo artista marceneiro, os aumentos quase se escondiam.
Belos convívios aconteceram à volta daquela imensa mesa.
Imensa alegria, imensa amizade.
O tempo parecia imenso.
A vida acreditava-se imensa.
Cada cadeira tinha inscrito o monograma do seu ocupante.
Um dia, uma cadeira, a de uma das extremidades esvaziou-se. Ninguém mais a ocupou. O vazio tornou-se imenso.
Aos poucos, outras cadeiras foram-se enchendo de vazios. Vazios imensos.
A mesa permanece.
As cadeiras, frias, alinhadas, permanecem.
E permanece uma saudade imensa, que, muitas vezes, numa alegria relembrada, enche a mesa e ocupa as cadeiras todas.

4 Comentários:

Blogger casa.da.ponte disse...

Gostei muito...sobretudo do último parágrafo.
Relembrada ou vivida o que eu desejo é que haja alegria.
Beijinhos Laurinha
M.Dores

quarta-feira, junho 25, 2008 2:53:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Obrigada, M. Dores
Beijinhos

quinta-feira, junho 26, 2008 7:44:00 da tarde  
Anonymous Anónimo disse...

Gostei muito. Tb me fez lembrar outros tempos em que as cadeirs estavam ocupadas..
Beijinho
beirense

quinta-feira, junho 26, 2008 9:57:00 da tarde  
Blogger Madalena disse...

É mesmo uma saudade imensa.... beijinhos Laurinha!

sábado, junho 28, 2008 10:22:00 da manhã  

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