sábado, maio 03, 2008

Uma Rosa cor-de-rosa

Olho através da janela e vejo, no alegrete da minha varanda, uma rosa.
Gosto da palavra alegrete. Transmite-me alegria.
Gosto da palavra alegrete. Muito mais do que da palavra floreira. Há flores de que não gosto.
Gosto da palavra alegrete. Muito mais do que da palavra canteiro. Lembro-me de qualquer coisa que arrumei num canto para esquecer para sempre.
Olho através da janela e vejo, no alegrete da minha varanda, uma rosa.
Uma rosa cor-de-rosa. Cor-de-rosa, cor das rosas. Um tom cor-de-rosa escuro. Na verdade um vermelho esmaecido, a cor comum das rosas.
Vou buscar uma tesoura. Quero cortá-la para, num solitário, colocá-la na minha sala. Vê-la-ei melhor. Alegrará os meus olhos.
Tento agarrar o caule. Está cheio de espinhos Pico-me. Penso chupar o dedo. Hesito. Coloco-o sobre a rosa e duas gotas de sangue escorrem e maculam uma pétala.
Com duas lágrimas apenas, a rosa cor-de-rosa, riscada a sangue, continua a alegrar o alegrete da minha varanda.

2 Comentários:

Blogger Madalena disse...

E a Rosa virou gente, assim, de repente. Liiiiiindo, Laurinha!!!Beijinhos à tua Rosa e para ti também.

segunda-feira, maio 05, 2008 12:43:00 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Eu acho que a melhor forma de literatura é a poesia, mas tu consegues fazer da prosa uma linda poesia!!
Beijinhos
beirense

quinta-feira, maio 08, 2008 11:36:00 da manhã  

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