quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Para que conste

A propósito do texto da Madalena, “Para que conste, de novo...”, apetece-me repetir o que aqui escrevi em 31 de Maio de 2005:

“Se há pessoas que eu admiro, são os professores. Se há pessoas que eu recordo com respeito e ternura, elas foram os meus professores. Claro que, ao longo da minha vida, tive professores de quem gostei e outros de quem não gostei. Curiosamente, aqueles de quem mais gostei foi dos que ministravam as minhas disciplinas preferidas. Ainda hoje não sei qual a relação entre professores e disciplinas: gostava das disciplinas pelos professores ou gostava dos professores pelas disciplinas? Seja como for, considero que, na maioria, cumpriam a sua missão como se de um sacerdócio se tratasse. E, não obstante tudo o que hoje se diz do ensino, quero acreditar que muitos vão deixar nos seus alunos uma marca igual à que em mim perdura até agora. Lembro-me, com muita saudade, da minha professora de francês e de literatura portuguesa - Noémia Paiva Henriques. Já não está entre nós, mas continua viva no meu coração.”

(In)significâncias

Ora bem! Vamos lá partilhar seis coisas sem importância, a pedido da Sinapse e da Pituxa.

Seguindo a ordem:

1. Já coloquei o link para as pessoas que me “marcaram”;

2. Vou colocar as regras; ei-las:

a) colocar o link para a pessoa que nos "marcou";
b) colocar as regras no blogue;
c) partilhar 6 coisas sem importância sobre nós;
d) "marcar" mais 6 pessoas no final;
e) avisar estas pessoas deixando um comentário nos seus blogues.

3. Agora as coisas sem importância:
  • entrar na sala e ver dois sapatos e uma mochila do meu neto, atirados um para cada canto;
  • entrar no quarto do meu neto, cinco minutos depois de o mesmo ter sido impecavelmente arrumado, e desconfiar vagamente de que um furacão passou por lá;
  • ter, todos os dias, de passar mais de meia hora a dizer ao meu neto que vá para o banho e, depois, ter de passar mais de meia hora a dizer que saia do banho;
  • olhar para o interior do meu carro e achar que é mais um recipiente de lixo, destinado a objectos não especificados, inventado pelos meus netos;
  • entrar em casa, desconfiada a olhar para o chão, não vá o mesmo estar cheio de berlindes;
  • ainda assim, adorar ser avó.

4 e 5. Impossível! Já toda a gente foi “marcada”.

sábado, fevereiro 23, 2008

Beira - Cidade


Em 21 de Março de 1887 nasceu o Príncipe da Beira, Luís Filipe. Em sua honra, o então posto de Aruângua tomou o nome de Beira.
Em 1907 a povoação da Beira é elevada a cidade.

Esta é a medalha comemorativa do seu cinquentenário.

Se o meu Tio Manuel ainda cá estivesse, teria também, estou certa, a do centenário.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Palavras Feias

O Espumante quer que eu diga doze palavras
de que não gosto.
Ei-las:
Augado (como se diz lá na terra dos meus avoengos);
Abóbora-porqueira;
Abracadabra;
Açafata;
Babar;
Bêbedo;
Bedum;
Cachucho;
Cacofonia;
Escarro;
Urubu;
Zangão.
Não devem quebrar esta corrente sete pessoas supersticiosas.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Histórias Inventadas? [17]


Esta história podia ter ocorrido no Liceu da Guarda, na Universidade de Coimbra ou na Universidade do Porto.
Optei por inventá-la em Coimbra.
Um professor, cansado talvez das palavras pouco sábias, mas, muitas vezes, vertidas em abundantes catadupas para o papel, decidiu limitar a duração dos testes a quarenta e cinco minutos.
Perante a reclamação geral quanto à escassez de tempo, remediou a situação, dilatando-o para três horas, mas confinando a extensão do teste a uma folha de papel almaço de trinta e cinco linhas.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Memória

Sem memória não seria eu.
A memória é o meu cofre, onde guardo tudo o que de precioso vivi.
O cofre é enorme e cheio de gavetas.
Hoje vou começar a abrir, para amanhã, a do dia dos namorados.
Está cheia de recordações lindas, cobertas por uma música suave que só eu conheço.

É um blog muito bom!


A Kalinka, sempre querida, resolveu escolher-me.
Agora vou nomear sete:

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Palavras de que gosto

A Pituxa mete-me em cada alhada. Não tenho mesmo imaginação para exercícios destes, mas, após alguma cogitação, eis aqui o mal-acabado produto final:

Gosto da palavra astrágalo. Há muitos, muitos anos, li um livro intitulado "L’Astragale", escrito por Albertine Sarrazin, de que, na altura, gostei, mas só me lembro vagamente que retratava a sua vida como prostituta, Só então tomei conhecimento da existência deste osso do pé e nunca mais me esqueci.
Gosto da palavra ubiquidade. Talvez porque a capacidade de se poder estar em todo o lado ao mesmo tempo me fascina.
Gosto da palavra omnifulgente. Vê-se logo que há brilho e luzes a refulgir por todo o lado.
Gosto da palavra cotovelo. Sei lá porquê! Não é, certamente, pela dor do mesmo.
Gosto da palavra cromeleque. O mistério das pedras ordenadas intriga-me e faz-me pensar.
Gosto da palavra sonho. Principalmente no sentido figurado de fantasia, mas também no da culinária.
Gosto da palavra amigo. Não do da onça nem de Peniche.
Gosto da palavra justiça. Por ser uma palavra antiga que ainda existe nos dicionários, mas que da “Diciopédia” já não consta.
Gosto da palavra beira. Por razões óbvias que me escuso de mencionar.
Gosto da palavra livro. Por ser um companheiro fiel, tanto em verso como em prosa (ainda que M. Jourdain dissesse “ni prose ni vers”...).
Gosto da palavra juízo. Por ser a palavra que mais ouvia em pequena, na forma de juizinho, menina, sem grande efeito, aliás, ou não estaria aqui a escrever isto.
Gosto da palavra verdadeira. Odeio a mentira. Até me irritam as palavras enganosas! E terei de as dizer até ao fim da vida. Toda a gente sabe que Setembro é Novembro, que Outubro é Dezembro, que Novembro é Onzembro e que Dezembro é Dozembro. Por que razão não acrescentaram os dois meses depois do Dezembro?

Ad impossibilia nemo tenetur...
Passo a tarefa ao Espumante e a todos os que tiverem paciência!

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Padre António Vieira

Assim escreveu o Padre António Vieira, há quase quatrocentos anos:
"... E de que modo os devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne há dias de carne, e para o peixe dias de peixe, e para as frutas diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come; e isto é o que padecem os pequenos: são o pão quotidiano dos grandes; e assi como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes? Representa-se-me que com o movimento das cabeças estais todos dizendo que não, e com olhardes uns para os outros vos estais admirando e pasmando de que entre os homens haja tal injustiça e maldade. Pois isto mesmo é o que vós fazeis. Os maiores comeis os peque­nos; e os muito grandes não só os comem um por um, senão os cardumes inteiros, e isto conti­nuadamente, sem diferença de tempos, não só de dia, senão também de noite, às claras e às escuras, como também fazem os homens.
Se cuidais, porventura, que estas injustiças entre vós se toleram e passam sem castigos, enganais-vos. Assi como Deus as castiga nos homens, assi também por seu modo as castiga em vós. Os mais velhos, que me ouvis e estais presentes, bem vistes neste Estado, e, quando menos, ouvirieis murmurar aos passageiros nas canoas, e muito mais lamentar aos miseráveis remeiros delas que os maiores que cá foram mandados, em vez de governar e aumentar o mesmo Estado, o destruiram, porque toda a fome que de lá traziam a fartavam em comer e devorar os pequenos..."
Assim escreveria hoje!