quarta-feira, janeiro 30, 2008

A Moda do Stress

Estive a ler um artigo sobre o stress. De um modo ou outro, parece que é um mal geral. Muitas são as pessoas que se queixam de que têm tantas tarefas que não conseguem resolver a situação. E ficam verdadeiramente doentes, angustiadas. Diz-se que Napoleão conseguia ditar cinco cartas, em simultâneo (tanto que ele escrevia!). Diz-se que Napoleão conseguia dar não sei quantas ordens em simultâneo. Pois é! Pelos vistos, há muitos "napoleões", todos com stress e úlceras de estômago. Mas eu admiro essas pessoas! Sim, admiro-as, já que só consigo cumprir uma tarefa. Quando arrumo a casa, estou a cumprir uma tarefa. UMA tarefa, certo? Quando termino, fico feliz por tê-la terminado. Quando vou às compras, vou cumprir uma tarefa. UMA tarefa, certo? Quando termino, fico feliz por tê-la terminado. Quando estou a fazer o tapete de Arraiolos, estou a cumprir uma tarefa. UMA tarefa, certo? Quando termino, fico feliz por tê-la terminado. Quando estou a ler, estou a cumprir uma tarefa. UMA tarefa, certo? Quando termino, fico feliz por tê-la terminado. Quando vou buscar os netos à escola, vou cumprir uma tarefa. UMA tarefa, certo? Quando termino, fico feliz por tê-la terminado. E assim, por diante.
É ou não é verdade que só sou capaz de cumprir uma tarefa? UMA.
Nem calculam quantas umas tarefas consigo cumpro por dia, mas sempre, sempre uma, nunca duas, nunca três, nunca mil e uma.
Nunca conseguirei, portanto, entrar na moda do stress.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Regras para um ... português

Ok! Vou tentar escrever um texto, com total displicência pelas guide lines (trad: linhas da guidinha) da Carlota. Escrever bom português está tão demodé!
Não tenho um “lampadário de cristal” como aquele que “mandou a Duquesa de Sabóia à Real Majestade da Poderosíssima Rainha de Portugal, sua irmã”, descrito por Jerónimo Baía, como “alpe luzido, laminar nevado,/ pompa da régia sala,/tesouro no valor, brinco na gala./ onde à matéria vasta a sutil arte,/ fazendo ilustre excesso,/ o preço abate, sublimando o preço:/. Tenho sim um lampadário (um lampadário não é bem, que não pende do tecto, pois jaz numa mesa ao lado do sofá) de louça chinesa que, há dias (quantos? não me lembro, mas já não foi este ano) se avariou. Quero eu dizer que deixou de acender, i.e., não dava luz e o problema não era da lâmpada, que eu fui verificar enroscando-a noutro lampadário (que não bem lampadário, já que é gémeo do que avariou) e funcionava. Atão tentei concertá-lo, fui cumprar uma pêra, ali ao inletrecista da purtela e quando o linkei, pumba fez curto-circuito, ou cumprido, que não sei a diferença, e lá se foram quinze euros.
Mudei de táctica e resolvi arranjar um electricista à séria, que não consegui, mas veio cá um segurança (electricistas são difíceis de arranjar, mas seguranças há muitos) que consertou tudo.
Restabeleceu-se a luz imensa, quase solar, do lampadário. Mas foi árdua tarefa.
Irra, arre, porra!

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Histórias Inventadas? [16]

As deslocações das forças armadas portuguesas, em Angola, durante a guerra colonial, estavam devidamente referenciadas num grande mapa, no qual se espetavam bandeiras nos locais de destino.
Este mapa encontrava-se na parede de uma sala do quartel, permanentemente guardado por militares armados, visto fornecer informação altamente secreta.

Um dia, um militar decidiu ir visitar um amigo, que trabalhava numa conhecida fábrica de cerveja, em Luanda. Que aguardasse um pouco na sala de espera, que o dito amigo estava em reunião, mas demorar-se-ia pouco.

E a sala de espera, de acesso público, ostentava na parede um mapa com as deslocações das forças armadas portuguesas, igualzinho ao que era fortemente guardado no quartel.

Juntos os amigos, pergunta-lhe o militar, surpreendido, como haviam conseguido o mapa.

Simples! O próprio quartel.
Se assim não fosse como poderiam fazer chegar a cerveja aos sítios onde houvesse tropa?
E tratando-se de um mapa tão bonito por que não expô-lo onde pudesse ser apreciado por todos?

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Qual é o seu prato favorito?

Fiquei boquiaberta quando, há dias, ouvi as crianças do concurso televisivo do Jorge Gabriel dizerem que os seus pratos favoritos eram piza, lasanha, esparguete e canja de galinha!
Nem ouso perguntar aos meus netos, não vão eles responderem-me que é o desusado bife com batatas fritas.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Amizade

De tantos amigos que tive ao longo da vida, de muitos perdi-lhes o rasto. De alguns recordo-lhes ainda os nomes, de outros nem isso.
Ao fim de quase meio século de afastamento, foi com surpresa que ouvi uma mensagem no gravador do meu telefone:
- Julgo estar falar para casa da minha amiga Laura; daqui fala Nuno...
O meu número de telefone, soubera-o através de um vizinho da minha mãe. Coincidência!?
Queria oferecer-me o livro que acabara de editar.
Em conversa, descobri que aqui, no prédio onde vivo, habita também um amigo dele.
Coincidência!?
Ouvi-lo, foi um enorme prazer. Ler o livro, um imenso prazer.
Como escreveu na dedicatória do livro: “Ficou a amizade e a boa lembrança”.
A vida é uma enorme coincidência!?

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Explicação

Claro que não fui jantar com o Rei de Espanha, como o Espumante chegou a pensar!
Mas se tivesse ido e se el rei me tivesse mandado calar, ter-me-ia calado, é óbvio!
Que cá coisas a trouxe-mouxe, chega o que se ouve e vê, nos nossos noticiários, e se lê, nos nossos jornais!
Acontece apenas que não me tem apetecido escrever. Não tenho andado para aí virada. Em época de festas, tenho preferido gastar o tempo a cogitar nas minhas taciturnidades.
Mas o que me ri com a história do rei e com a história do Miguel já deu para deixar aqui esta explicação.