quarta-feira, outubro 31, 2007

As Páginas dos Livros


Ainda bem que o que andava por aí não me chegou aqui anteontem, mas só hoje, via Pituxa.

O livro que, então, acabei de ler era demasiado mau para que me apetecesse continuar o que andava por aí. Que me desculpe o autor!

O que já li deste foi pouco. Espero, contudo, gozar de prazer igual ao dos autores, garantido na frase “o prazer de escrever a catorze mãos”, embora, no meu caso, seja apenas o de ler com dois olhos e dois auxiliares de visão.

Vou, então, até à p. 161. Está no capítulo VIII, apresentado assim: “Nunca se deve regressar aos livros onde fomos felizes. ALICE VIEIRA Dois Corpos Tombando na Água”.

Procuro a quinta frase completa. Aqui está:

“Teria, talvez, de mentir, embora tivesse a certeza de que ela jamais se iria referir àquele cheiro de sândalo e rosas que lhe empestava a roupa”.

Não desafio ninguém a acrescentar elos a esta corrente. Quem quiser que o faça.

“Eça agora”!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Halloween

Ontem ao jantar, o meu neto dizia para a minha filha:
- Mãe, tens que me comprar uma máscara muito feia para levar para a escola no dia do “auluíne”...
- Não sabes como é que esse dia se chama, em português?
- Sei, pois: chama-se o dia de antes dos santos todos...
(imagem daqui)

quarta-feira, outubro 24, 2007

O Passado

O passado é o presente.
O presente é o passado.
O passado e o presente serão o futuro.
O passado é a boneca, com duas tranças no cabelo, que tanto me encantou.
O passado é andar às cavalitas do meu Tio.
O passado é o mar que eu olhava e que me fazia perguntar o que haveria lá no fim.
O passado é a minha primeira pasta, cheia de coisas novas, no meu primeiro dia de escola.
O passado é a minha primeira bicicleta.
O passado é o número de amigos que me acompanha até hoje.
O passado é o meu primeiro namorado.
O passado é não saber.
O passado é descobrir.
O passado é aprender.
O passado é construir uma família.
O passado é a frustração de não ter sido capaz de atingir a completude.
O passado é o bilhete, que se encontra, dum espectáculo a que assisti há mais de cinquenta anos.
O passado é o presente.
O presente é o passado.
O passado e o presente serão o futuro.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Histórias Inventadas? [14]

O pincel despelara-se. O frasco de cola líquida ficara, assim, inoperante. Mas a burocracia militar não permitia que o assunto fosse resolvido em Angola. Impunha-se um pedido de autorização prévia, dirigido à Metrópole, com vista à aquisição de um novo instrumento que espalhasse a preparação glutinosa.
O Capitão iniciou, consequentemente, o preenchimento dos formulários necessários e procedeu ao respectivo envio para Lisboa, tendo este sido o seu primeiro trabalho, em Luanda.
Informado, entretanto, do correspondente preço na loja de artigos de papelaria mais próxima, tirou do próprio bolso a parca quantia necessária, ordenou a sua aquisição urgente, restabelecendo, desta sorte, a unidade necessária ao cabal funcionamento da operação de colagem.
Dois anos! Foi o tempo que a autorização de aquisição levou a chegar.
Ora então, que fazer, uma vez que já havia pincel?
Obviamente, o preenchimento de novos formulários, pedindo a anulação da autorização concedida. Este foi o último trabalho feito pelo Capitão, antes de terminada a sua comissão de serviço militar, em Angola.

domingo, outubro 14, 2007

Respigos de África - LV

Naqueles velhos tempos da Beira do meu Avô, alguém se lembrou de proibir os nativos de andarem na cidade apenas de tanga. Doravante, seriam obrigados a vestir calção.
Nos dias que se seguiram a esta ordem, muitos foram os que preferiram regressar às suas terras. Calção, não! Tradição era tradição!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Museu Geológico

O que se descobre num pacote de açúcar!
(Dedicado à Carlota)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Sonho

A menina não a escolheu. A escadaria, única, estava lá. Uma dúzia de figuras, feitas de chocolate maciço, aguardavam-na. Umas de chocolate preto, outras de chocolate de leite e outras de chocolate branco. Os degraus pareciam macios, de tão polidos. Uma passadeira feita de prata dourada ofuscou-lhe o olhar. As figuras vestiam-se de pratas coloridas.
Encaminharam-na e começaram a subir.
Num patamar, aprendeu a andar de bicicleta.
Noutro patamar, aprendeu a nadar.
Noutro patamar encontrou lápis, borrachas, cadernos de duas linhas, lisos, quadriculados e pautados e aprendeu a ler, a desenhar e a fazer contas.
Nesses patamares novas figuras, também de chocolate maciço, aumentaram o grupo que subia as escadas.
Uma das figuras derreteu-se. A menina entristeceu-se.
Numa altura do percurso, a escada bifurcou. A menina teve de escolher. Escolheu, mas nem todas as figuras a acompanharam.
Num patamar encontrou, no chão, pétalas de rosa e arroz. Uma figura, maior que as outras, passou a dar-lhe a mão. Subiram, assim, muitos degraus, uns mais polidos, outros menos, mas subiram sempre. Três figuras, mais pequenas, saltitavam, sem parar, à sua volta. Do grupo desapareciam figuras e apareciam figuras. Muitas já não eram maciças, eram ocas.
A figura maior também se derreteu. A menina entristeceu-se.
Cada vez mais a escada bifurcava e era cada vez mais difícil escolher a escada certa.
Outras três figuras pequeninas apareceram. Queriam subir depressa, encontrar patamares, numa ânsia nunca satisfeita.
Qual o destino misterioso da escada?
A menina não sabe, acordou do sonho.
Sabe apenas que a menina era eu!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Figueira da Foz. Cinco











A Figueira da Foz vista por mim.