quarta-feira, setembro 26, 2007

M.M.

Conheci-o no ano de 1969.
Há casos assim. Começámos a conversar como se esse fosse o nosso hábito de há muito tempo. Nada nos era estranho. Tudo fluía como num rio sem escolhos. Trabalhámos juntos durante alguns anos, até que os nossos caminhos divergiram.
Mas ficou uma sólida amizade. Sempre.
Deixou-nos hoje.
Adeus, MM.

sábado, setembro 22, 2007

O Espelho e a Sombra

Lembro-me de não perceber como é que o espelho me imitava. Intrigava-me a sua capacidade de repetir, tal e qual, tudo o que eu fazia. Tanto fazia gestos lentos, como rápidos, o espelho nunca se enganava. Como é que ele conseguia? Espreitava por detrás e não entendia como era possível, embora eu fosse ainda pequena, que no pouco espaço entre a moldura e a parede, um outro eu conseguisse pular, levantar os braços, fazer caretas... De resto, já tinha visto que o outro eu da minha mãe também lá cabia e penteava-se exactamente como ela. Até o pente era da mesma cor!

Lembro-me de não perceber a razão por que, às vezes, uma sombra me acompanhava e outras não. Será que o outro eu continuava escondido atrás do espelho e não se tinha dado conta de que eu tinha saído? Mas, na rua, era diferente. Ora era muito maior do eu, ora muito mais pequena. Ora se colocava à frente, ora me seguia. Mas, tal como o espelho, nunca se enganava. Bem podia correr, virar-me, parar, saltar, a sombra era sempre perfeita.

Não me lembro do dia em que estes mistérios se resolveram. As recordações são assim. Umas ficam, outras vão-se.

quinta-feira, setembro 20, 2007

O Que É?



Fotografia tirada pelo meu neto.

Alguém adivinha o que é?

terça-feira, setembro 18, 2007

Figueira da Foz. Quatro











A Figueira da Foz vista por mim



segunda-feira, setembro 17, 2007

Respigos de África - LIV

No jardim da minha casa, presa a um arbusto, a teia de aranha era enorme. A aranha também. Pelo menos é essa a minha reminiscência. Provavelmente não tão grandes assim, já que à medida que crescia, tudo o que me rodeava decrescia. Muito tempo passei em frente daquela teia. Fascinava-me ver a forma como aquelas pernas se moviam naquele entrelaçado de fios. Fascinava-me ver os insectos aprisionados a tentarem livrar-se daquela trama. Fascinava-me ver a rapidez com que a teia era refeita, sempre que, com um pau, lhe abria um buraco. Fascinava-me vê-la pendurada por um fio finíssimo. Falava com a minha aranha. Fazia-lhe perguntas. Imaginava respostas. Éramos amigas.
A minha vida pode comparar-se àquela teia!

quinta-feira, setembro 13, 2007

O Debuxador Marajá

Suponho que, em Paris, fosse conhecido por Monsieur Da Silva.
Nasceu em Constância.
Nasceu artista.
Nasceu com um dom.
O dom de debuxador.
Achava que não nascera para trabalhar, mas para aproveitar tudo o que de bom havia para viver.
Acreditava que ninguém nascia para trabalhar, mas para imaginar uma boa vida.
Como não nasceu rico, debuxou, para si, um plano que surtiu efeito.
Cedo, foi para Paris.
Sendo um conceituado artista na arte do debuxo de tapetes, trabalhava em fábricas famosas.
Mal amealhava uma quantia razoável de dinheiro, parava de trabalhar e desenhava projectos mirabolantes para a gastar. Todos luxuosos como se fora marajá. E nessa altura era, não tenho dúvida, o marajá Da Silva.
Acabada a riqueza, voltava a ser debuxador. Outros tapetes, outras fábricas.
Recomeçava o ciclo.
Não sei quantos ciclos viveu.
Não sei quantas vezes foi marajá.
Sei que a sua vida foi o seu melhor debuxo.
Sei que era meu tio-avô materno.

Figueira da Foz. Três











A Figueira vista pelo meu neto

quarta-feira, setembro 12, 2007

PT Comunicações

Alguém sabe explicar-me a razão pela qual a PT Comunicações liga para o mesmo número de telefone cinco vezes num mesmo dia?
Que desassossego!!!!
Vade retrum "telemarketing"!

Figueira da Foz. Dois











A Figueira da Foz vista por mim

terça-feira, setembro 11, 2007

Figueira da Foz. Um




A Figueira da Foz vista pelo meu neto

segunda-feira, setembro 10, 2007

“A Beira, minha Água Natal”

“A Beira, minha Água Natal” comemorou o seu centenário no passado dia 20 de Agosto.

“Falo da minha Beira, pequena cidade em que nasci, localizada no centro de Moçambique, na margem esquerda do rio Pungué. A Beira é um sítio roubado às águas de um estuário, forrado de lodo e mangais. Cidade líquida, num chão fluvial. Tanto que, para falar dela, eu digo: a Beira, minha água natal.”. (Texto de Mia Couto)