sexta-feira, julho 27, 2007

Respigos de África - LIII

Graves problemas de saúde de um familiar obrigaram-nos a vir à Metrópole. Uma amebiana, a que também ouvia chamar disenteria de sangue. A conselho do médico, Cristiano Nina, deveríamos ficar por cá. Abandonar Moçambique, abandonar a Beira.
Antes de virmos, o nosso cozinheiro, Sande, perguntara ansiosamente à minha Mãe se e quando regressaríamos. Que fosse passando pela Alfândega, que o meu Tio Domingos dar-lhe-ia notícias. E assim foi fazendo.
No dia em que o meu tio lhe disse que não voltaríamos, duas lágrimas, tristes, tristes, saltaram-lhe dos olhos.

terça-feira, julho 17, 2007

Gostava de ter pena...

Gostava de ter pena da vida que vivi. Mas não tenho.
Gostava de ter pena da vida que não vivi. Mas não tenho.
Gostava de ter pena da vida que podia ter vivido e não vivi. Mas não tenho.
Gostava de ter pena de não ter dado mais. Mas não tenho.
Gostava de ter pena de não ter aproveitado melhor as oportunidades que a vida me deu. Mas não tenho.
Gostava de ter pena dos livros que não li. Mas não tenho.
Gostava de ter pena dos amigos que não fiz. Mas não tenho.
Gostava de ter pena do que podia ter sido e não fui. Mas não tenho.
Gostava de ter pena do tempo que não soube viver. Mas não tenho.
Gostava de ter pena das terras que não soube conhecer. Mas não tenho.
Gostava de ter pena ... Mas não tenho.
Não seria eu!

sábado, julho 14, 2007

Parabéns






Parabéns Amiga, Beirense

quarta-feira, julho 11, 2007

Cortina-vigilância?

Íamos de combóio para Vale de Prazeres. Da estação até à casa da minha avó, íamos a pé. Conforme percorríamos as ruas, um bocadinho de cortina das janelas afastava-se, como se fôssemos brisa. Acho que quando chegávamos ao destino, toda a aldeia já sabia da nossa presença. Isto passava-se há quase cinquenta anos. Cortina-vigilância?

quinta-feira, julho 05, 2007

Mais um Ano!

segunda-feira, julho 02, 2007

Sonhei

Sonhei que, de capacete imaculadamente branco, percorria um caminho de terra vermelha, que vinha não sei de onde e ia não sei para onde.
Sonhei que, pairando sobre as águas, queria saber o que estava para lá da linha do horizonte. Queria ver para onde ia, ou de onde vinha, o sol.
Sonhei que falava com enormes aranhas e pedia-lhes que me ensinassem a tecer o enredo da vida.
Sonhei que muitos olhos me olhavam.
Sonhei que o sonho não era, afinal, sonho, mas a vida acordada.