quinta-feira, junho 28, 2007

Histórias Inventadas? [13]

Há muitos, muitos anos, uma alta personagem desta Nação proferiu, em fala pública, na sua peculiar voz, monocórdica e arrastada, esta singular frase: - É a primeira vez que visito, pela segunda vez, esta Feira de Santarém...

quarta-feira, junho 27, 2007

Flores da minha Vida

Há sempre quem nos dê flores!
Tento lembrar-me de todas as flores que tenha recebido.
Principalmente da razão dessas ofertas.
E das pessoas que mas ofereceram.
Já não consigo.
Mas sei que todos os marcos importantes da minha vida, felizes e tristes, foram sempre, sempre, revestidos de flores.
Mas, se vou buscar um velho livro para reler e encontro, entre as páginas, uma flor seca, já não lhe descubro o significado. Desvaneceu-se com o tempo.
Mas lembro-me de muitas flores que guardo no meu coração. Lá, num cantinho, está uma caixa de ouro, onde cresce uma vida de flores. Viçosas, cheirosas, radiosas.
Às vezes abro a caixa.
Tiro uma pétala.
Esfrego-a nas mãos.
Dela pode exalar um perfume doce, inebriante.
Dela pode exalar um aroma acre, agastante.
Mas todas são pétalas das flores da minha vida.

sábado, junho 23, 2007

Obstáculos da Vida

Subi a escada. Não havia electricidade. Não levava velas. Não havia nada que iluminasse o caminho. Era noite. Noite com luar, mas as portadas fechadas não deixavam vislumbrar o que quer que fosse. Queria saber o que havia naquele quarto, sempre fechado, das águas-furtadas. Degrau a degrau cheguei à porta. Rangeu, resistiu, mas abriu-se. Às apalpadelas, procurei a janela. Choquei com um obstáculo. Desviei-me. Choquei com outro obstáculo. Desviei-me. Mais um desvio. Mais um obstáculo. Magoei-me num joelho. Completamente desorientada, num quarto repleto de objectos, continuava às voltas, sem encontrar a janela. Já quase desesperada, apalpei um fecho frio. Rodei-o. Rangeu, resistiu, mas abriu-se. O luar estendeu-se e brilhou sobre as teias de aranha. Num quarto que só não estava vazio por arrumar um velho toucador.

quarta-feira, junho 20, 2007

Livros

Livros? Espaço para os arrumar? Que problema!
Mas valem pelo prazer da sua leitura.
Respondo, assim, ao repto da
Madalena.
Acrescento a corrente com todos os que aqui vierem e
estiverem interessados em torná-la mais comprida.

sexta-feira, junho 15, 2007

Histórias Lembradas - XVI

Ainda não estávamos todos nas termas do Vimeiro.
O meu Pai iria lá ter mais tarde.
Sozinho em casa, resolveu, um dia de manhã, comer um ovo estrelado.
Uma frigideira pequena, um pouco de manteiga, um ovo e tudo no fogão.
E, entretanto, foi fazer a barba. Com muita calma e à moda antiga. Muita espuma numa tigela metálica, um pincel para estender, uma lâmina para cortar e escanhoar, uma pedra azul (de que seria?) para os cortes, um alfinete, devidamente queimado na ponta, para qualquer pêlo encravado.
Terminada a operação, foi espreitar o ovo. Ainda não estava frito!
Resolveu vestir-se, acabar de se arranjar.
Voltou à cozinha.
Nada! O ovo continuava cru!
Estranhou. Decidiu chamar a porteira.
A D. Belmira, espantada, foi investigar. Que não podia ser. Que um ovo frita-se num instante. Que o normal era estar esturricado.
E descobriu! Faltava acender o lume!

quarta-feira, junho 13, 2007

Encontrar a Felicidade

O homem põe e Deus dispõe.
Achei que tudo, ou muito, dependia de mim. Engano total. Planeei, planeei e quase tudo saiu ao contrário.
Nesta confusão que é este mundo, nesta confusão que é este país, nesta confusão que é esta cidade, o que resta é descobrir uma nesga de felicidade.
E como encontrá-la?
Dizia-ma a minha Avó: se queres encontrar alguma coisa, ata a perna do diabo a uma cadeira e pede ajuda ao Santo António.
Hoje é o dia.
Vou procurá-la.
Vou encontrá-la.
Ela está aí, no meio da confusão.
A perna já está atada à cadeira com um forte atilho.

quarta-feira, junho 06, 2007

Folga

Vou folgar até dia 11!

segunda-feira, junho 04, 2007

Velhos Postais da Beira - Moçambique

A data - 4 de Janeiro de 1931 - foi inscrita pela minha avó torta