sexta-feira, maio 04, 2007

Histórias Inventadas? [12]

Nos meses que se seguiram à revolução dos cravos.

Da lista constavam, por ordem alfabética, nomes. Nomes de pessoas que estavam proibidas de sair do país, sem prévia autorização escrita, emanada lá dos lados do Terreiro do Paço.
Nomes, muitos nomes, todos de pessoas importantes. Nomes por que eram conhecidas. Nem sempre iguais aos inscritos em documentos oficiais.
Assim, o senhor Pulquério Fino Gordo, que usava apenas Pulquério Fino, nome que aparecia na lista, mas não no passaporte, saiu sempre que quis.
A senhora Hilda Flor saiu sempre que quis. A lista registava Ilda.
O senhor Real Honrado estava na lista. Precisava de ir a Inglaterra a uma consulta médica. Qual a razão por que estava na lista? De oitenta anos de idade, aposentado, nunca tinha ocupado nenhum cargo que lhe merecesse tal inscrição. Ficou em terra lusa. Foi indagar junto das entidades fazedoras de tal documento. Explicaram-lhe: desconhecendo o nome próprio do Real Honrado visado, escreveram apenas os dois apelidos. Abrangeram toda uma família.
E a senhora Triques Fidalga? Que desatenção! Que falta de respeito! Tão importante e não fazer parte da lista. A quem deveria reclamar?

2 Comentários:

Anonymous Luisa Alcântara disse...

Olá Laurinha, mas ele há cá cada nome... e isto muito por culpa dos nossos antigos Conservadores do Registo Civil. Uma das mais encantadoras era uma senhora que se chamava 'Prantelhana' que explicou que só tinha este nome pelo facto de à pergunta do Conservador "então que nome vai dar à pequena" o pai respondeu "olhe prante-lhe Ana".
Beijinhos e bom fim de semana.

sexta-feira, maio 04, 2007 9:29:00 da tarde  
Anonymous casadaponte disse...

A importância de um nome!...
E o texto está,uma vez mais, uma delícia. Parabéns!
Beijinhos
M.Dores

terça-feira, maio 08, 2007 11:10:00 da manhã  

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