segunda-feira, abril 30, 2007

Assim escreveu o meu Avô:


quinta-feira, abril 26, 2007

Chegar à Beira, Moçambique


Assim se chegava à Beira, nos tempos idos do meu Avô.
O paquete ficava ao largo.

segunda-feira, abril 23, 2007

Pitágoras disse:

Temos duas orelhas e uma boca.
Logo devemos falar metade do que ouvimos.

quinta-feira, abril 19, 2007

Histórias Inventadas? [11]

Eram duas amigas.
Fizeram o curso na mesma Faculdade.
Eram as duas boas alunas, mas uma melhor que a outra. Uma formou-se com dezanove valores, a outra com dezassete.
Concorreram à mesma instituição para iniciarem as suas vidas profissionais.
A melhor aluna ficou em primeiro lugar, a outra em segundo.
A melhor aluna era filha de um desconhecido. A outra era filha de um conhecido. Político de renome.
A melhor aluna recebia, regularmente, um telefonema. Queriam saber se ainda continuava interessada no lugar. Os meses foram passando. Os telefonemas continuavam. Sempre a mesma pergunta: se ainda continuava interessada no lugar.
Até que um dia, a resposta foi diferente: não, não continuava interessada, já que alguém, no estrangeiro, se mostrara interessado em contratá-la.
Na semana seguinte, a candidata que havia ficado em segundo lugar ocupou o lugar.

segunda-feira, abril 16, 2007

Quinta Pedagógica dos Olivais

















Fomos lá.
A minha neta fotografou.

sábado, abril 14, 2007

Ainda Merícia de Lemos

Há tempos deixei aqui este texto sobre Merícia de Lemos.

A minha amiga Beirense Anónima descobriu este poema, transcrito por
Alda Martins Ferreira. Com sua autorização, aqui fica.

Muito obrigada às duas.

Poema Africano

Em Moçambique, na Beira
para os lados da ponta Gêa
a varanda duma casa, uma rua de areia
jasmins e hibiscos no jardim
aloés nos caminhos

As flores caíam à tardinha
e ficavam dançando ao vento
morrendo como pássaros encarnados
já muito cansados de voar

Nasci, nasci lá.

Mas comecei a andar, parti
e ainda espero a flor azul
que não se encontra nunca.

Merícia de Lemos

[Este poema fazia parte do "compêndio" da disciplina de Português adoptado no ano lectivo 74/75, no Liceu Pero de Anaia, na Beira, para o 3.º Ano do Liceu (actual 7.º ano de escolaridade). É o texto 95 da pag. 114.]

quarta-feira, abril 11, 2007

Era o Papagaio

Tocou à campainha.
Uma voz, lá da cozinha, respondeu-lhe: - Um momento, já vou!
Aguardou.
Decorreram minutos e tocou de novo.
A mesma resposta lá do fundo da cozinha: - Um momento, já vou!
Mais umas tentativas.
Todas receberam a mesma resposta: - Um momento, já vou!
Mas a porta não se abriu.

Nunca mais voltou.
Nunca relevou.
Nunca acreditou que a voz que lhe respondia era do papagaio!
Só ele estava em casa.

segunda-feira, abril 09, 2007

Parabéns, Stella!

No dia 7 de Março (ou foi no dia 8?), a Stella fez uma anito.
Bem me parecia que andava a esquecer-me de alguma coisa.

Mas hoje lembrei-me. A mãe e o avô que me desculpem.
Parabéns Stella!

quinta-feira, abril 05, 2007

Páscoa

A casa ficava no mais perfeito pandemónio. Janelas despidas de todos os panos que as guarneciam. Móveis arrastados. Gavetas despejadas e forradas de novo. Prateleiras esvaziadas e rearrumadas. Colchões e almofadas enchidos de folhelho e sumaúma novos. O chão, em tábua corrida, raspado, esfregado a sabão amarelo com escova de duras cerdas e, depois de bem seco, encerado com duas camadas de cera. A sala de visitas era aberta, despojada dos inúmeros lençóis que tudo cobriam e submetida a igual tratamento do resto da casa.
Até o cágado andava confuso sem encontrar o seu móvel de abrigo.
Tudo pronto! Que delícia de perfume. Cheirava a limpo. Cheirava a alfazema. Cheirava a cera. Cheirava a antigamente.
Que prazer inebriante inspirar toda aquela frescura.
Tudo voltava ao normal. Só a sala de visitas se mantinha ainda aberta e descoberta.
Aguardava a visita do Padre.
O tempo era de Páscoa!

segunda-feira, abril 02, 2007

A minha Vida, o meu Jardim

Quando nasci, trazia um jardim. Não era bem um jardim. Era um espaço para ajardinar. Tinha apenas dois canteiros. O canteiro dos meus pais e o canteiro da minha família. O canteiro dos pais era lindo. Cheio de flores variadas, de cores exuberantes e de extasiante aroma. O canteiro da família tinha igualmente belas flores, mas também algumas ervas daninhas. Conforme fui crescendo, fui acrescentando canteiros. O canteiro do colégio, o canteiro dos amigos. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos, todos os segundos tratava dos canteiros. Mas, com excepção do canteiro dos meus pais, em todos cresciam ervas daninhas. Bem as cortava, bem as arrancava, mas elas insistiam em medrar.
Um dia, tive que transplantar o jardim para outra terra. Construí o canteiro da memória que ainda hoje mantém, bem vivas, as flores que na altura lá coloquei. Flores perenes, flores únicas. À medida que o tempo passava, os canteiros iam aumentando, em número e em tamanho. O canteiro da vida profissional. O canteiro da nova família que iniciei. O canteiro dos gostos. O canteiro dos desgostos. O jardim está enorme. Todo construído em linhas curvas, assimétricas. Continuo a tratar dele todos os dias, todos os minutos, todos os segundos. A tirar-lhe pedras, escolhos, ervas daninhas. Adoro o meu jardim. Lá num recanto escondido está um lago, com água salgada. A minha vida é o meu jardim.