quinta-feira, março 22, 2007

Comprar na China

Não me lembro se foi em Macau se em Hong Kong.
Numa daquelas ruas antigas em que as lojas coladas umas às outras e que nem portas têm, já que estão permanentemente abertas, nos enchem os olhos. Apenas um cordão grosso esticado resguarda a entrada à hora das refeições e do descanso. Mesmo assim, se chamarmos, interrompem para nos atenderem. Numa montra vi qualquer objecto que me interessou e entrei. O preço estava marcado, mas perguntei. Só o percurso da montra até ao balcão fez com que o mesmo baixasse. Ainda assim, disse que achava caro. Que não era, que a qualidade era óptima, que não encontrava igual, embora pudesse achar mais barato. Conversámos, de Portugal, da China, do tempo, da História, da Religião, dos costumes, de tantas outras coisas mais. O tempo ia passando. Ao fim de uma hora, trouxe o objecto, embrulhado em papel de jornal e enfiado num saco de plástico, por menos de metade do preço marcado na montra. É assim que se compra no Oriente. Antes de sair, perguntei qual a razão por que marcavam preços tão altos para depois venderem por muito menos.
Estou aqui o dia todo. Vender é importante. Mas mais importante ainda é este espaço de conversa, que me gratifica e que não quero perder. Espaço que só consigo com o regatear do preço. Espaço que me ensina, espaço que me proporciona trocas de ideias, espaço que me ajuda a passar o tempo, espaço que me oferece felicidade.

9 Comentários:

Blogger Pitucha disse...

É uma maneira de ver as coisas! O nosso problema é que ...não temos tempo!
Beijos

quinta-feira, março 22, 2007 5:01:00 da tarde  
Blogger Torquato da Luz disse...

Em Marrocos também é assim, mas não por essas razões, claro...
Um beijinho.

quinta-feira, março 22, 2007 6:16:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Pituxa
O problema é mesmo esse: não termos tempo.
Beijinhos

quinta-feira, março 22, 2007 8:34:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Torquato
Pois! Nunca estive em Marrocos.
Beijinhos

quinta-feira, março 22, 2007 8:35:00 da tarde  
Blogger bia di sal disse...

Laura,
Concordo consigo; dizemos que nunca temos tempo mas na verdade perdemos tempo com o que não interessa e desperdiçamos algo tão precioso como saborear o tempo através da troca de opiniões...
Obrigado por nos fazer pensar atempadamente nesta necessidade!
Um beijinho

sexta-feira, março 23, 2007 11:17:00 da manhã  
Anonymous casadaponte disse...

Lá está uma forma interessante de passar o tempo!
Beijinho e...boas compras!
Bom fim de semana.
M.Dores

sexta-feira, março 23, 2007 11:22:00 da tarde  
Blogger Luísa Hingá disse...

E tu ainda falaste com o vendedor. Fiz compras em Macau e no sul da China fazendo sinais com os dedos...risos...ou então escrevendo na calculadora do vendedor o que pagava.
Em Marrocos são mais teimosos. Perseguem-nos e querem à força que baixemos o preço duma coisa que não queremos comprar...

sábado, março 24, 2007 1:29:00 da manhã  
Blogger espumante disse...

Tudo se regateia na vida, minha amiga. E só porque tanto o vendedor imflaciona o valor do seu produto como o comprador subestima o artigo que pretende.
E depois desta tirada demasiado profunda para uma tarde de sábado deixo-te aqui um beijinho de bom fim de semana
:)

sábado, março 24, 2007 6:07:00 da tarde  
Blogger MJM disse...

Por vezes torna-se necessário "inventar" tempo para coisas que parecem de somenos importância, como uma conversa de ocasião mesmo quando apressados,em que se revelam momentos deliciosos. Neste caso foi possível ultrapassar a língua...
Beijos

segunda-feira, março 26, 2007 2:00:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home