sexta-feira, outubro 27, 2006

Aliança de Casamento

Sou tradicionalista e a favor da manutenção de certos símbolos.
Sou extremamente tolerante e respeito as ideias de cada um.
Introduzo assim uma história de alianças de casamento.
A aliança de casamento é o símbolo de um compromisso e união entre duas pessoas.
Quando casei, o meu marido e eu passámos a usá-la.
Decorridos uns anos, ele engordou e decidiu e comunicou-me que tinha que levá-la à ourivesaria para alargá-la. Entretanto, colocou-a num sítio, onde deixava as chaves e a carteira quando chegava a casa. De dia lá estava a aliança sozinha, sem companhia. E lá foi ficando. E passaram-se semanas e passaram-se meses.
Até que eu decidi que ela passaria a ter companhia. E ao seu lado coloquei a minha. No dia seguinte, já só lá estava a minha..
Nunca houve uma única palavra trocada sobre o assunto.
E uma semana depois ambas voltaram ao quarto dedo da mão esquerda, o dedo por onde, diz-se, passa uma veia que vai directa ao coração.

terça-feira, outubro 24, 2006

Debaixo da "Camotinha"


A minha Mãe, ainda pequena, cantava:
Uma velha tinha um cão,
Uma velha tinha um cão,
Debaixo da “camotinha” ...
E assim continuou cantando, perguntando-se como seria uma camotinha.
Tantos móveis tinha em casa e logo não havia uma camotinha... Chegou a imaginá-la semelhante ao psiché do seu quarto.
Levou tempo a perceber que afinal:
Uma velha tinha um cão,
Uma velha tinha um cão,
Debaixo da cama o tinha!

domingo, outubro 22, 2006

Foi no Ano de 1971...

... que acompanhei o meu marido neste evento e estive, pela última vez, na minha terra.

sexta-feira, outubro 20, 2006

A Carlota e o Lote 5

A Carlota festeja hoje o primeiro aniversário do seu Lote 5. É um blogue excelente que visito todos os dias (ou quase).
Parabéns, Carlota e obrigada por tudo o que nos tens proporcionado.
Continua...
Beijinhos beirenses

terça-feira, outubro 17, 2006

Carros Cuba-Cuba

Antes de os automóveis chegarem à Beira, cidade de Moçambique, as pessoas faziam-se transportar em carros cuba-cuba. Mesmo depois de aparecerem os primeiros automóveis, os dois meios de transporte ainda coexistiram por algum tempo. Os carros cuba-cuba eram colocados em carris e empurrados à mão. Uma placa circular colocada na parte inferior, chamada magica, permitia que se invertesse o sentido da marcha. Como no mesmo carril andavam carros nos dois sentidos, ao cruzarem-se havia um que tinha que sair para deixar passar o outro. Não obstante existirem algumas normas incipientes de prioridades, de que a minha Mãe já não se recorda, havia, por vezes grandes milandos quanto a quem devia sair ou não do carril.
A fotografia ilustra o carro cuba-cuba do meu Avô, estacionado na varanda da sua casa, local escolhido pela cadela "Manga" para fazer a sesta.

Infelizmente não sei a data da fotografia, tirada pelo meu Avô.

(Julgo que cuba-cuba significa empurra-empurra, no idioma da Beira)
Clique na fotografia para a aumentar

sexta-feira, outubro 13, 2006

Prémio Nobel da Literatura

Já comprei um dos dois livros traduzidos para português. Não gosto de ler sem ser na língua original. Mas, desta vez, tem que ser.

“Beyaz Kale” é o título original. Será mesmo “A Cidadela Branca”?

Igreja na Beira, Moçambique

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em postal dos anos sessenta

terça-feira, outubro 10, 2006

No Aero Clube da Beira - Moçambique

Fotografia tirada no Aero Clube da Beira, no ano de 1937.
A minha Tia, a minha Mãe e o meu Pai.
(Dedicada à Luh)

domingo, outubro 08, 2006

Respigos de África - XLIV

Um dia, o moleque apareceu com uma bela coroa em ouro num dos dentes da frente.
O meu Pai reparou.
Noutro dia, o moleque apareceu com a sua bela coroa em ouro num dos dentes da frente.
Ao meu Pai pareceu-lhe que não era o mesmo dente. Reparou e prestou mais atenção.
Era um facto. A coroa saltitava de dente para dente, mas sempre num dente da frente.
Interrogado, respondeu:
- Patrão, mas qualquer dente serve! Nosso usa a coroa só para ficar mais chibante!

"Origens da Cidade da Beira"


sábado, outubro 07, 2006

Castelo de Celorico da Beira



No Dia Nacional dos Castelos, o Castelo de Celorico da Beira, em imagem retirada da "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"

quarta-feira, outubro 04, 2006

Cinema em Moçambique



Esta história foi-me contada por um bom amigo, Fernando Roza de Oliveira.
Foi pioneiro do cinema ambulante em Moçambique.
Fica aqui referida tal como ele próprio a fixou numa Separata, cuja capa reproduzo.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Vida

Quando nascemos, começamos logo a morrer. E, ao longo da vida, estamos sempre a morrer aos bocadinhos. Uns bocadinhos maiores, uns bocadinhos mais pequenos, mas sempre morte.
A primeira vez que me lembro de ter morrido um bocadinho foi quando vim de Moçambique. Lá deixei o meu primeiro colégio, lá deixei as minhas primeiras professoras, lá deixei os meus primeiros amigos, lá deixei o meu primeiro namorado. Chamava-se Zé. Só voltei a vê-lo doze anos depois. Lá deixei a minha bicicleta com pneus maciços. Lá deixei o meu quintal, o meu jardim, a minha cadela “Fly”.
Ainda hoje me pergunto como teria sido a minha vida sem essa primeira nunca esquecida morte.

Penso, às vezes, que a vida é como um balão.
Vai-se esvaziando. Vai-se enchendo.
Enquanto não deixarmos morrer o fôlego.