terça-feira, setembro 19, 2006

O Fantasma de Lord Hillingdon


O colégio situava-se em Hillingdon Court, perto de Londres. Ocupava uma bela casa senhorial que tinha pertencido a Lord Hillingdon. Da história da casa e do belo e extenso jardim que a rodeava nada sei. Só sei que o dito lord resolveu suicidar-se numa noite de um para dois de Novembro de um ano qualquer. E, à boa maneira inglesa, todos os anos nessa noite factos estranhos aconteciam naquela casa.

Um grupo de alunas, composto por duas portuguesas, uma francesa, duas colombianas, uma venezuelana e uma jugoslava, considerou que essa era a noite ideal para fazer uma festa nocturna. A francesa forneceu duas garrafas de champagne, uma portuguesa várias latas de conservas, já que o pai tinha uma fábrica em Olhão, e outra portuguesa uvas, conservadas em serradura, vindas lá da sua quinta. Pão, “marmelade” e chocolates ingleses completavam o cardápio.

Talvez por razões de segurança, às dez horas da noite a electricidade era desligada e as lanternas entravam em acção.

O edifício tinha uma cave e dois andares. Os nossos quartos eram no segundo andar e o local escolhido para a festança foi a cave. Às dez horas e cinco minutos começámos a descer a escadaria. Bonita escadaria que envolvia, em forma quadrada, uma larga e altíssima caixa ao longo dos três andares.
A garrafa de champagne, a deslizar pelo corrimão, saltou da mão e estatelou-se na pedra do chão lá no fundo. O estrondo foi colossal. Transidas de medo, quedámos à espera... Mas nada. Só se ouvia o mais profundo silêncio. Nem colegas, nem freiras, nada! Limpámos os vestígios do estrondo, demos a festa por terminada e fomos dormir.
No dia seguinte, todas nós, todas nós mesmo, comentávamos como o fantasma do Lord Hillingdon tinha sido especialmente barulhento nessa noite.
Houve até quem tivesse ouvido os seus gritos.
Houve até quem tivesse ouvido os seus passos.
Houve até quem tivesse ouvido portas a abrirem e a fecharem.
Houve até quem o tivesse visto a passear pelos largos corredores.
Houve até quem o tivesse ouvido a partir vidros.
Houve até quem garantisse que o desassossego havia preenchido toda a noite.

3 Comentários:

Blogger Pitucha disse...

Há que dar utilidade até aos fantasmas!
Beijos

quarta-feira, setembro 20, 2006 8:43:00 da manhã  
Blogger Periférico disse...

É caso para dizer que foram salvas por um fantasma... ;-)

Beijos

sexta-feira, setembro 22, 2006 3:55:00 da tarde  
Blogger JPF disse...

Por mim interpreto de outra forma: Lord Hillingdon gostava de champagne ! E não deixou perder a oportunidade...
Beijos

sexta-feira, setembro 22, 2006 10:38:00 da tarde  

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