quarta-feira, maio 03, 2006

Respigos de África - XXXVIII

Escolas de condução? Não havia. Aprendia-se.
Automóveis? Muito poucos.
Mas havia um senhor que fazia uma espécie de exame, após o qual atribuía, ou não, uma licença para conduzir. Acho que atribuiu sempre.
Conduzir era no meio da via: mais seguro, não fosse algum peão sair do passeio e pisar a estrada. Estacionar era só encostar e parar: para quê fazer manobras quando existia espaço com fartura? Fazer marcha atrás? Como dizia um amigo do meu Pai: comprei o carro para andar para a frente, homessa!
E a tudo o senhor ia cedendo e as licenças iam sendo passadas. Com um busílis.
Numa cidade completamente plana, ninguém obtinha a licença sem saber subir, parar e arrancar numa subida. Neste pormenor o senhor não condescendia. Como fazer?
Valeu a extravagância duma garagem subterrânea, a que se acedia através de uma rampa.
Esta a rampa do desespero de todos os que ambicionavam o título de condutor encartado.
Não fosse esta rampa, ninguém na Beira, Moçambique, nos anos vinte e trinta, teria obtido a licença de condução automóvel!

10 Comentários:

Blogger Periférico disse...

Uma rampa para o sucesso está visto!;-)

Beijos

quarta-feira, maio 03, 2006 7:59:00 da tarde  
Blogger Sinapse disse...

"comprei o carro para andar para a frente, homessa!"

... o que eu já me ri!


:)

quarta-feira, maio 03, 2006 8:05:00 da tarde  
Blogger dakidali disse...

Maldita rampa. Como os tempos mudam. O meu filho anda a tirar a carta e já não se aprende da mesma maneira quando eu aprendi. Agora só começam as aulas de condução depois de passarem no código. Qualquer dia será virtualmente!??
Beijinhos

quarta-feira, maio 03, 2006 8:53:00 da tarde  
Blogger espumante disse...

Fizeste-me lembrar aquilo que em Moçambique normalmente se chamava de fossa - duas fatias de cimento em rampa e nivelada no topo. Serviam para se pôr o carro lá em cima e depois lavá-lo ou consertá-lo. Eu era miúdo dos meus doze anos e a maior prova de confiança que o meu pai me podia dar era deixar-me conduzir o carro (uma carrinha Chevrolet) até ao topo da fossa :))
Ainda hoje gosto de guiar, imagina!

quarta-feira, maio 03, 2006 9:08:00 da tarde  
Blogger Carlota disse...

Céus!
E depois esse senhor tornou-se examinador de aspirantes a condutores em Portugal?...
É que isso explicaria muita coisa!
Beijola.
:)

quarta-feira, maio 03, 2006 9:37:00 da tarde  
Blogger Luh disse...

Eu tirei a minha carta na beira e não me lembro de nenhuma rampa. Só me lembro que quando me preparava para fazer marcha atrás, um carro se meteu naquele local.Risos.

quinta-feira, maio 04, 2006 12:24:00 da manhã  
Blogger Luh disse...

oooops Beira...

quinta-feira, maio 04, 2006 12:25:00 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Qdo tirei a carta a rampa era a do Oceana, que nasceu por terem feito uma marginal e aprender a estacionar entre dois carros era no Beira Terrace entre duas árvores. Belos tempos... Hoje de certeza que não passava no exame rsrs
jinho
beirense

quinta-feira, maio 04, 2006 5:24:00 da tarde  
Blogger Brigida Rocha Brito disse...

Palavras para quê? Uma descrição simplesmente fantástica. Apetece retroceder no tempo e fazer a viagem até lá. Já!!!! Bjs

quinta-feira, maio 04, 2006 11:58:00 da tarde  
Blogger Kalinka disse...

OLÁ
Muito obrigada pela visita e preocupação que teve comigo durante a minha ausência, mas fui, procurar ficar melhor, sair de casa, mudar de ares, estar com gente amiga, foi mesmo muito bom.
Só é pena terminar tão depressa...
Sobre a carta de condução, na cidade da Beira, foi nos anos 70, em 1973, que fiz o exame de condução e código, já não apanhei essa tal rampa dos anos 30 e 40.
Beijinhos beirenses sempre.

sábado, maio 06, 2006 1:22:00 da manhã  

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