segunda-feira, maio 15, 2006

Respigos de África - XXXIX


Este automóvel era um Chevrolet e foi comprado pelo meu Avô, no ano de mil novecentos e trinta, tendo custado duzentas e setenta e cinco libras ouro. A matrícula era M-423.

Neste caso fotografado, o objectivo era atravessar o Rio Urema, a uns quilómetros da Beira, Moçambique. Como não havia ponte, a passagem processava-se da maneira que vou tentar descrever, de acordo com relato feito pela minha Mãe. Uma prancha feita em troncos e madeira, com dois anteparos, um em cada extremidade, conforme pode ver-se na fotografia, era puxada à mão, através de cordas até atingir a margem, numa parte mais estreita do rio. Uma vez chegada, descia-se um dos anteparos por forma a pousar em terra. O carro, com os respectivos ocupantes, deslocava-se então e estacionava na parte central da prancha. Subia-se o anteparo e a viatura, devidamente protegida na dianteira e na traseira, iniciava a travessia, sempre puxada à mão, através dos referidos cabos. Alcançada a outra margem, baixava-se o anteparo dianteiro, o carro iniciava a marcha e assim prosseguia viagem.

Este passeio teve lugar no dia 19 de Janeiro de 1936.

16 Comentários:

Blogger Pitucha disse...

O carro é o máximo. E o preço verdadeiramente de outras épocas...
Beijos

segunda-feira, maio 15, 2006 7:31:00 da manhã  
Blogger Carlota disse...

Que carro espectacular!
E as artimanhas para fazer face à ausência de ponte, são de mestre!
Que rico passeio deve ter sido!
Beijola.

segunda-feira, maio 15, 2006 12:12:00 da tarde  
Blogger dakidali disse...

Havia muitos dessas passagens em Moçambique, lembro-me de ser garota e de atravessar também assim, por cabos puxados por homens que davam às manivelas.
Beijinhos

segunda-feira, maio 15, 2006 12:30:00 da tarde  
Blogger Periférico disse...

Outros tempos e como se costuma dizer: a necessidade aguça o engenho ;-)

Beijos

segunda-feira, maio 15, 2006 4:12:00 da tarde  
Blogger Kalinka disse...

Olá
Adoro vir até aqui, para ler os tais «respigos de África», pois neste momento é a unica ligação que eu tenho com esses tempos maravilhosos, é vir até aqui...e ficar a divagar...como é bom recordar!
Beijinhos.

segunda-feira, maio 15, 2006 5:01:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Pituxa
Também acho, mas o preço, na época, já era alto.
Beijinhos

segunda-feira, maio 15, 2006 5:36:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Carlota
Eram tempos sem as facilidades tecnológicas de hoje, mas tudo se fazia, com mais ou menos custo.
E passeava-se muito.
Beijinhos

segunda-feira, maio 15, 2006 5:39:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Teté
Nesta altura, ainda não havia manivelas. Era tudo à custa de força de braços.
Beijinhos

segunda-feira, maio 15, 2006 5:40:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Periférico
É verdade. Ainda hoje a necessidade aguça o engenho.
Beijinhos

segunda-feira, maio 15, 2006 5:42:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Kalinka
Para mim é um prazer receber-te. Aparece sempre que te apeteça.
Beijinhos beirenses

segunda-feira, maio 15, 2006 5:43:00 da tarde  
Blogger Torquato da Luz disse...

Rigorosa descrição, Laura. Que mestria!
Beijos.

segunda-feira, maio 15, 2006 8:55:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Torquato
Que simpatia! Mas senti que a descrição ficou longe da cena real.
Obrigada e beijinhos beirenses

segunda-feira, maio 15, 2006 9:28:00 da tarde  
Blogger Madalena disse...

Também tínhamos um batelão assim no Xai-Xai!!!!! Vê tu que nunca me esqueci do batelão com os carros em cima, como este da tua recordação. Obrigada, Laurinha por me ajudares a lembrar. Acho que na tal caixa dourada estão fotos parecidas com as tuas, mas neste momento o meu PC foi de férias...lol e não posso digitalizar as fotos. Mil, mil beijinhos para ti

segunda-feira, maio 15, 2006 11:14:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Madalena
Eu nunca vi ou não lembro. Apenas reproduzi o que a minha Mãe me contou. Em 1936, ela tinha dezoito anos e foi a fotógrafa.
Beijinhos

terça-feira, maio 16, 2006 12:33:00 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Oi Laura,
Essas passagens de batelão eram o máximo quando eu era miuda e já depois de crescidinha quando estava interna no Colégio a 200 kms da Beira. O rio atravessa-se conforme a maré e às vezes estávamos horas à espera dela.
Que bom recordar!!
Beijinho pra ti e pra tua mãe
beirense

quarta-feira, maio 17, 2006 11:25:00 da manhã  
Blogger Brigida Rocha Brito disse...

E a imagem é simplesmente magnífica!!! bjs

terça-feira, maio 23, 2006 11:06:00 da tarde  

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