quarta-feira, maio 31, 2006

Uma Flor na minha Varanda

Flores na minha Cozinha

segunda-feira, maio 29, 2006

O Museu Bramah em Londres

A Folha de Chá referiu-se hoje às borboletas. Ontem, na Figueira da Foz, eram mais que muitas.
Este calor embota-me o pensamento. Consegui, no entanto, pensar que a água chalada – era assim que a designávamos em Moçambique – bem geladinha era um óptimo paliativo para a sede e para o calor.
E daí derivei para Londres. E para o Museu Bramah de Chá e Café.

“The Portuguese priest Gaspar de Cruz was the first European to give an account of the drinking of tea, about 1560 and tea arrived in Lisbon shortly afterwards. Dutch merchants were the first to carry tea back to Europe commercially for sale, in a shipment of 1610, and teapots were among the articles of porcelain that were imported into Europe from China in ever increasing quantities during the seventeenth century. Tea drinking became fashionable first in Holland, and in England during the second half of the seventeenth century.”

E dedico este texto e a visita ao museu à Folhita.

sexta-feira, maio 26, 2006

Histórias Lembradas - XII

Não sei que idade teria o meu Pai.
O fato era de veludo azul escuro, a camisa branca, os sapatos em verniz preto. Tudo em grande cerimónia que era a primeira vez que o menino ia ajudar a rezar a missa, lá na Igreja de Vale de Prazeres, a sua aldeia no sopé da Serra da Gardunha. Ainda rezada em latim: Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum, sed tantum dic verbo et sanabitur anima mea. Todo o texto bem decorado, ao longo de alguns meses de catequese.
Chegada a hora de se ir para a Igreja, dez horas da manhã, e o meu Pai desaparecido.
Onde estaria? O Padre desistiu de esperar. A missa rezou-se sem a sua ajuda. Que vergonha para a família. As horas foram passando. O receio instalou-se. Toda a aldeia decidiu procurá-lo lá pelas veredas da serra.

Encontraram-no. Sapatos esfolados, fato todo sujo. Achara melhor ir às amoras que recheavam abundantemente os bolsos das calças e do casaco. E estava feliz. O que ele pensou não sei. Eu penso que ele não se achou digno de sentir-se coberto pelo mesmo tecto, tendo concluído que a salvação residia num tecto imenso e azul, vindo do infinito e indo para lá.

quarta-feira, maio 24, 2006

Respigos de África - XL


Fato todo branco ou em cor crua. Sempre fato completo incluindo colete. Camisa também sempre branca. Tudo em linho ou em seda natural. Impecavelmente engomado. Ainda hoje me pergunto como é que, com tanto calor, as pingas de suor a escorrerem por um corpo coberto apenas por uns calções, uma mesa e um ferro a carvão, entre os pilares por baixo da casa, o mainato conseguia tamanha proeza. É assim que me lembro do meu Avô Artur. A fotografia ilustra-o. Chegava de automóvel, todos os dias. Conduzindo-o ou fazendo-se conduzir por um motorista. Sentava-se na varanda da nossa casa numa confortável e fresca cadeira de verga, feita na Ilha da Madeira. Chamava-me, sentava-me ao colo, do bolso do colete tirava um relógio preso por uma corrente, abria-lhe a tampa e colocava-o junto ao meu ouvido para ouvir o tique-taque repetido, embalante, e ensinar-me a ver as horas.
Lembro-me tão bem! Adoro relógios e não suporto ouvir o seu silêncio.

segunda-feira, maio 22, 2006

Pousada do Garuso



No ano de mil novecentos e sessenta e sete, a publicidade era assim.

terça-feira, maio 16, 2006

Histórias Inventadas? [2]

Já há muito, muito tempo, num processo sobre lã de vidro, a ser utilizada como isolador térmico e acústico, o mesmo membro do Governo, relativamente ao qual já contei aqui uma pequena história, exarou o seguinte despacho: à Junta Nacional dos Produtos Pecuários, para informar. Datou e assinou.

segunda-feira, maio 15, 2006

Respigos de África - XXXIX


Este automóvel era um Chevrolet e foi comprado pelo meu Avô, no ano de mil novecentos e trinta, tendo custado duzentas e setenta e cinco libras ouro. A matrícula era M-423.

Neste caso fotografado, o objectivo era atravessar o Rio Urema, a uns quilómetros da Beira, Moçambique. Como não havia ponte, a passagem processava-se da maneira que vou tentar descrever, de acordo com relato feito pela minha Mãe. Uma prancha feita em troncos e madeira, com dois anteparos, um em cada extremidade, conforme pode ver-se na fotografia, era puxada à mão, através de cordas até atingir a margem, numa parte mais estreita do rio. Uma vez chegada, descia-se um dos anteparos por forma a pousar em terra. O carro, com os respectivos ocupantes, deslocava-se então e estacionava na parte central da prancha. Subia-se o anteparo e a viatura, devidamente protegida na dianteira e na traseira, iniciava a travessia, sempre puxada à mão, através dos referidos cabos. Alcançada a outra margem, baixava-se o anteparo dianteiro, o carro iniciava a marcha e assim prosseguia viagem.

Este passeio teve lugar no dia 19 de Janeiro de 1936.

sábado, maio 13, 2006

IX Exposição da Academia


Termina amanhã, dia 14, a exposição que a Academia do Centro Social Paroquial de Olivais-Sul, leva a efeito todos os anos.
Sobre a Academia já falei aqui, no ano passado.

Este tapete, em ponto de Arraiolos, foi a minha obra deste ano.

sexta-feira, maio 12, 2006

O Farol, no Ano de 1933



Fotografia tirada por um amigo da minha Mãe, de apelido Guerra

quinta-feira, maio 11, 2006

Histórias Lembradas - XI

A hérnia do meu Tio Manuel estrangulou. Necessitou de uma intervenção cirúrgica urgente que aconteceu no Hospital de São José, em Lisboa. Por inexistência de camas vagas, a recuperação teve de ser feita no Hospital do Desterro, para onde foi transferido.
Ficou numa enfermaria de doze camas, onde o mobiliário – camas e mesas-de-cabeceira – era novo, em resultado de um qualquer programa de ajuda estrangeiro. No entanto, o estado das paredes e do tecto era absolutamente deplorável. Humidade infiltrada com abundância e até buracos no tecto, toscamente tapados com papel de jornal.

Após ter tido alta, decidiu o meu tio, a expensas suas, mandar pintar e reparar aquela enfermaria. Ofereceria as tintas, ofereceria todos os demais materiais, ofereceria o trabalho, ofereceria tudo o que fosse necessário.
Tendo perguntado na Secretaria quais os requisitos a cumprir com vista à satisfação do seu desejo, não foi fácil, perante tão inusitada questão, obter a informação de que teria de dirigir uma carta ao director do hospital, expondo a sua pretensão. Assim fez e esta carta andou em bolandas, de serviço para serviço, até chegar às altas instâncias governamentais.

Decorrido mais de um ano, obteve como resposta final que não seria possível autorizar-se o seu pedido, uma vez que nada na lei em vigor permitia que um particular executasse quaisquer obras num edifício público, ainda que sem custos para o Estado.

Esta história foi vivida em Lisboa, há uns vinte anos.

quarta-feira, maio 10, 2006

A Caminho de Manica para ir à Piscina



Fotografias tiradas pelo meu Tio Domingos em Julho de 1967

terça-feira, maio 09, 2006

Campanha de Solidariedade


Em resposta ao desafio que me foi colocado pela Folha de Chá e como antiga aluna do Colégio do Sagrado Coração de Maria e actual membro da Família Alargada do Sagrado Coração de Maria, não posso deixar de realçar a importância de todas as obras sociais a que estas religiosas tão abnegadamente se dedicam.

segunda-feira, maio 08, 2006

Na Povoação Indígena do Acampamento do Chitengo (Gorongosa), Moçambique




Fotografias tiradas pelo meu Tio Domingos, em Agosto de 1967

No Acampamento do Chitengo (Gorongosa), Moçambique




Fotografias tiradas pelo meu Tio Domingos, em Agosto de 1967

No Tando da Gorongosa, Moçambique





Fotografias tiradas pelo meu Tio Domingos, em Agosto de 1967

(se "clicar" nas fotografias elas aumentam)

sexta-feira, maio 05, 2006

Nesta Escola


Nesta escola anda o meu neto, João Nuno.
Está no quarto ano.
No seu primeiro ano (iniciação), um grupo de visitantes brasileiros deixou o poema, que aqui transcrevo, e acrescentou:

“A escola com que sempre sonhei, mas pensei que nunca pudesse existir”.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Para Sara, Raquel, Lia e todas as Crianças

Eu queria uma escola que cultivasse
a curiosidade de aprender
que em vocês é natural

Eu queria uma escola que educasse
o vosso corpo e os vossos movimentos:
que possibilitasse o vosso crescimento
físico e sadio. Normal

Eu queria uma escola que vos
ensinasse tudo sobre a natureza,
o ar, a matéria, as plantas, os animais,
o vosso próprio corpo. Deus.

Mas que ensinasse primeiro pela
observação, pela descoberta,
pela experimentação.

E que dessas coisas vos ensinasse
não só a conhecer, como também
a aceitar, a amar e a preservar.

Eu queria uma escola que vos
ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira
viva e atraente.

Eu queria uma escola que vos
ensinasse a usar bem a nossa língua,
a pensar e a expressar-se
com clareza.

Eu queria uma escola que vos
ensinasse a pensar, a raciocinar,
a procurar soluções.

Eu queria uma escola que desde cedo
usasse materiais concretos para que
vocês pudessem ir formando
correctamente os conceitos
matemáticos, os conceitos
de números, as operações...

Usando palitos, tampinhas,
pedrinhas...só porcariinhas!...
fazendo com que vocês aprendessem
brincando...

Oh! Meu Deus!
Deus livre vocês de uma escola
em que tenham que copiar pontos.
Deus livre vocês de decorar,
sem entender, nomes, datas, factos...

Deus livre vocês de aceitarem
conhecimentos "prontos",
mediocremente embalados
nos livros didácticos descartáveis.

Deus livre vocês de ficarem
passivos, ouvindo e repetindo, repetindo
repetindo, repetindo...

Eu também queria uma escola
que ensinasse a conviver, a cooperar,
a respeitar, a esperar, a saber viver
em comunidade, em união.

Que vocês aprendessem
a transformar e a criar.

Que vos desse múltiplos meios de
expressar cada sentimento,
cada drama, cada emoção.

Ah! E antes que eu me esqueça:

Deus livre vocês
dos professores incompetentes.

Carlos Drumond de Andrade

Versão adaptada

quarta-feira, maio 03, 2006

Respigos de África - XXXVIII

Escolas de condução? Não havia. Aprendia-se.
Automóveis? Muito poucos.
Mas havia um senhor que fazia uma espécie de exame, após o qual atribuía, ou não, uma licença para conduzir. Acho que atribuiu sempre.
Conduzir era no meio da via: mais seguro, não fosse algum peão sair do passeio e pisar a estrada. Estacionar era só encostar e parar: para quê fazer manobras quando existia espaço com fartura? Fazer marcha atrás? Como dizia um amigo do meu Pai: comprei o carro para andar para a frente, homessa!
E a tudo o senhor ia cedendo e as licenças iam sendo passadas. Com um busílis.
Numa cidade completamente plana, ninguém obtinha a licença sem saber subir, parar e arrancar numa subida. Neste pormenor o senhor não condescendia. Como fazer?
Valeu a extravagância duma garagem subterrânea, a que se acedia através de uma rampa.
Esta a rampa do desespero de todos os que ambicionavam o título de condutor encartado.
Não fosse esta rampa, ninguém na Beira, Moçambique, nos anos vinte e trinta, teria obtido a licença de condução automóvel!

terça-feira, maio 02, 2006

A nossa outra Casa na Beira, Moçambique


Há tempos mostrei aqui a nossa casa na Beira. Foi aí que vivi até vir para a Metrópole. Casa que o meu Pai adquiriu lá pelos anos quarenta e dois ou quarenta e três, pelas minhas contas. Tinha um grande terreno nas traseiras e com mais um bocado que comprou, decidiu mandar construir outra maior. Para a projectar, escolheu o Arquitecto Carlos Ivo. Esta era, portanto, a nossa outra casa na Beira, Moçambique, que, por circunstâncias da vida, nunca chegámos a habitar. Presumo que tenha ficado concluída no ano de mil novecentos e quarenta e seis. Será que ainda existe? Será que ainda existem?

Este “post” dedico-o ao Francisco Ivo, também arquitecto, tal como o Pai.