sexta-feira, abril 28, 2006

Respigos de África - XXXVII


Lembrança de um dia maravilhoso
que começou às quatro horas da manhã...

quarta-feira, abril 26, 2006

Respigos de África - XXXVI










Em 1939, o Presidente Carmona visitou a Beira.
Chegou no navio “Colonial”.
Gritou-se: Bem-vindo, Senhor Presidente.
Toda a cidade rejubilou.
Festa tão grande nunca tinha havido.
A Beira engalanou-se, como nunca antes o fizera.
Os Portugueses da Índia prestaram-lhe homenagem.
Até a Casa António Lopes da Cunha, Limitada, onde o meu Pai trabalhou, se enfeitou.
Construiu-se um palanque.
A multidão não arredou pé.
Até o meu Tio ajudou a empurrar o carro, que não pegava.
O Presidente usou um capacete.
O meu Pai fotografou o evento.
E eu escolhi estas fotografias.


(se "clicar" nas fotografias elas aumentam)

terça-feira, abril 25, 2006

Respigos de África - XXXV




No ano de 1939, o meu Pai fotografou assim a Cidade da Beira, em Moçambique

domingo, abril 23, 2006

No Dia do Livro

esta foi a leitura que me deliciou.

Histórias Inventadas?

Há muito, muito tempo, um membro do Governo, após a respectiva tomada de posse, quando o país era governado ainda por Salazar, decidiu convocar, de imediato, todos os seus Directores-Gerais.
Queria ouvi-los sobre a sua principal preocupação, que residia nos altos valores que a inflação vinha a registar, para poder decidir a melhor forma de os suster ou até de os inverter. Pretendia, pois, uma análise detalhada do problema.

Sobre um documento explicativo das várias razões das subidas de preços, no qual sobressaía a lei da oferta e da procura como causa principal dessa curva ascendente, o dito Secretário de Estado, tendo achado solução óbvia, exarou o seguinte despacho: Revogue-se a lei da oferta e da procura. Datou e assinou.

sexta-feira, abril 21, 2006

Serviço de Finanças

Quatro de Abril
É numa rua de Lisboa. Pouco movimentada. Numa rua feia, com muitos edifícios de serviços e poucos ou nenhuns de habitação. Um edifício bem conservado, com a porta de entrada pintada a azul. Tive necessidade de ir lá tratar de assunto da minha Mãe. A porta estava aberta. Entrei. Ninguém. Nem porteiro, nem recepcionista, nem segurança. Um letreiro ostentava a palavra “Tesouraria”. Espreitei. Retire a senha... Não retirei, que o meu assunto era “Imposto de Selo”. Uma funcionária simpática da tesouraria informou-me de que deveria dirigir-me ao primeiro andar. Subi. Retirei a senha. Esperei. Não, não era ali. Imposto de selo, mas aplicado a doações, era no segundo andar. Subi outra vez. Retirei a senha. Fui atendida. Relativamente ao assunto da carta, que requeria que a minha Mãe se apresentasse até ao final do corrente mês, para proceder ao respectivo pagamento, nos termos de uma lei publicada em meados de 2005, o amável funcionário nunca tinha ouvido falar. Chamou a chefe. Veio. Também desconhecia. Que iria fotocopiar a carta, ficar com o contacto telefónico e que informaria na semana seguinte. Mas a fotocopiadora estava inactiva. Inexistia verba para aquisição de “toner”. Ficou com o original, dando, em troca, o seu nome e número de telefone para eventual contacto.
Dezoito de Abril
Não tendo havido nenhuma informação, tentei o contacto telefónico. O telefone tocou, tocou, tocou, mas ninguém atendeu. Após mais de três horas de tentativas vãs, concluí que tal como não há porteiro, nem recepcionista, nem segurança, nem “toner”, não há igualmente telefonista. Para que haverá telefone?
Dezanove de Abril
Na Internet, tentei encontrar um endereço de e-mail, um serviço de apoio, mas sem êxito. Apenas um serviço de apoio do Senhor Ministro que muito secamente me esclareceu que não podia apoiar em nada. Para que servirá este serviço?
Vinte e um de Abril
Só me restava regressar. Ao mesmo edifício, sem nenhuma protecção, sem polícia, sem porteiro, sem recepcionista, sem segurança, sem telefonista, com o serviço de Tesouraria mesmo à entrada do lado esquerdo.
Uma diferença: já havia “toner”. Devolveram-me o original da carta. Ficaram com fotocópia. Continuam a estudar a questão. Continuam a não saber. Informarão em conformidade. O prazo termina no final deste mês.

quinta-feira, abril 20, 2006

Tulipas










Leiam este texto e vejam estas fotos...

quarta-feira, abril 19, 2006

Descansar do Descanso

Tenho andado a descansar do descanso pascal.

quinta-feira, abril 13, 2006

Uma Boa Páscoa!

A minha Avó quis. Mandou fazer o vestido. Branco, com muitas rendas, muitos lacinhos e duas asas, pesadíssimas, todas completamente cobertas com pequenas pérolas brancas, finamente bordadas no tecido grosso que escondia a armação de arame.
E assim fui eu, vestida de anjinho, na procissão lá da aldeia, no sopé da Serra da Gardunha, onde vivia a família do meu Pai.
Tinha os meus oito anos e lembro-me de ter pensado que ser anjinho era penoso. Carregar com aquelas asas todo o tempo. Eu, que até pensava que os anjos voavam!
Era uma Quinta-feira Santa.

Tínhamos que fazer sacrifícios, dizia-me a minha Avó.
Seria recompensada.
Logo no imediato Domingo, dia em que já podíamos comer aquele delicioso Bolo da Páscoa!

Uma boa Páscoa para todos os que pisarem esta senda!

quarta-feira, abril 12, 2006

Pânicos

A MJ, lá do país das flores, passou-me um testemunho.



















De uma visita a Keukenhof

Não sou muito dada a pânicos, mas que tenho medo de panicar, ai isso tenho!

Histórias Lembradas - X

Na Beira, Moçambique

Devia ter uns cinco anos de idade. Pela primeira vez ia ao cinema ver um filme completo. Até então, ia todos os Sábados ao Rex ou ao Olímpia (acho que se escrevia Olympia) ver uma parte daqueles filmes de cento e muitas partes, com bons e maus e onde os bons acabavam sempre por ganhar. Não mais de um quarto de hora. Depois, com um frasco de vidro cheio de “drops” e uma garrafa de coca-cola, ficávamos (nós, as criancinhas) na brincadeira, à espera que os pais acabassem de ver o filme principal.
Mas, finalmente, chegou o meu dia de ver um filme completo. Soube-o com meia dúzia de dias de antecedência. Exultava de alegria e nunca um Sábado demorou tanto a chegar.
Sábado de manhã! Horas de levantar!
O meu corpo cheio de manchinhas vermelhas desfez o meu primeiro sonho.
Varicela. E fazia tanta comichão.
Eu acho que o filme se chamava “O Anjo Azul”. Mais tarde, os meus Pais disseram-me que não era esse o filme, mas nunca souberam dizer-me qual era.
Até hoje, continuo a achar que era “O Anjo Azul”, anjo mau, que me pintou de varicela.
Nunca vi este filme. E não quero vê-lo.
Este foi o meu primeiro desgosto.
Lavei a varicela com uma torrente de lágrimas.

segunda-feira, abril 10, 2006

A nossa Casa na Beira, Moçambique


Na Ponta Gêa, na Beira, Moçambique, ficava a nossa casa.

quinta-feira, abril 06, 2006

Histórias Lembradas - IX

Por razões de ordem profissional, o meu marido continuou a ir regularmente a Angola, depois da independência deste país. Não vou contar das dificuldades aí sentidas, pois são do conhecimento geral.
Mas desta história tão simples, que tanto tocou o meu coração, nunca me esqueci.
Era a primeira viagem que aí fazia, depois de Angola independente.
Chegado ao aeroporto de Luanda, apanhou um táxi.
O motorista: - Boa tarde, patrão, para onde?
O meu marido: - ...Não me chame patrão!
O motorista: - Então chamo como?
O meu marido, depois de alguma hesitação: - Olhe, chame-me camarada!
O motorista: - Camarada... camarada!? Está bem, camarada-patrão!
E assim arrancaram para o hotel.
A empregada de quarto, impecável, amável, diligente, que lavou roupa, que engomou roupa, merecia, pois, uma boa gorjeta.
Ao deixar o hotel, o meu marido chamou-a, abriu a carteira, tirou algumas notas e o entregar-lhas, originou este diálogo:
- O senhor vai voltar, não vai?
- Claro, daqui a um ou dois meses estarei de volta.
- Então, peço-lhe um favor. Não me dê dinheiro, que de pouco me serve. Não há quase nada à venda. Quando voltar traga-me uma coisa de Portugal. Pode ser?
- Pode, mas o quê?
- Um termo, por favor. Tenho uma bebé e gostava de um termo para manter o seu leite quente. Aqui não há à venda.

Não teve que esperar pelo seu regresso.
Uns dias depois, o termo já lá estava, graças à boa vontade de um amigo, piloto.

segunda-feira, abril 03, 2006

O Hino do meu Colégio na Beira, Moçambique


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sábado, abril 01, 2006

Parabéns, Rafaela

Dez anos!