quarta-feira, janeiro 04, 2006

Histórias Lembradas - II

Durante uma das Grandes Guerras, não sei qual, o volfrâmio deu dinheiro a muita gente da Beira Baixa.
Na aldeia onde o meu Pai nasceu, mesmo na falda da Serra da Gardunha, existia um pobre habitante que, de um dia para o outro, se viu sem saber o que fazer a tanta riqueza.
Pensou, pensou e decidiu que, em primeiro lugar, iria construir uma bela casa, tal como a dos senhores ricos da terra. Afinal de contas ele também era rico! Em segundo lugar, passaria a comer, todos os dias, um ovo estrelado. Na altura, os ovos eram manjar de gente rica. E ele estava rico! Em terceiro lugar, viajaria até Lisboa, onde só as pessoas de dinheiro iam. E ele tinha dinheiro!
Julgo que gastou à tripa forra e que o dinheiro curta felicidade lhe trouxe, mas de Lisboa levou dois lindos bidés em louça pintada, um com flores azuis, outro cor-de-rosa, que, talvez por desconhecimento da sua utilidade, colocou à entrada da casa, a ladearem a porta, cumprindo a função de alegretes, com belas plantas ornamentais!

4 Comentários:

Blogger Folha de Chá disse...

Que bela entrada, assim florida. Eh eh eh... Mas, pelo menos, divertiu-se. :) E agora diverte-nos a nós. :)

quarta-feira, janeiro 04, 2006 6:30:00 da tarde  
Blogger Carlota disse...

Era, então, uma pessoa cheia de criatividade.
Já ouvi chamarem arte a coisas piores...
Beijolas!

quarta-feira, janeiro 04, 2006 10:26:00 da tarde  
Blogger António disse...

O volfrâmio passou a valer mais do que ouro durante a 2º Guerra Mundial, quando se revelou como um elemento importante para melhorar as características das ligas metálicas.
São conhecidas algumas histórias dos volframistas, homens na sua maioria analfabetos e bouçais que, tendo o minério volframite nas suas terras, enriqueceram até mais não.
Costumavam usar várias canetas de ouro no bolso exterior do peitilho dos seus casacos como inscrição que falava do seu novo-riquismo. Mesmo sendo quasi todos eles analfabetos.
O romance "Volfrâmio" do Aquilino, salvo erro, fala-nos dessas figuras típicas do Portugal rural de meados do sec. XX.

Obrigado pela visita.
Espero que gostes da minha novela até ao fim.

Beijinhos

quarta-feira, janeiro 04, 2006 11:27:00 da tarde  
Blogger lilla mig disse...

Eh, eh! :)

quinta-feira, janeiro 05, 2006 2:11:00 da tarde  

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