quinta-feira, dezembro 01, 2005

Gargarejar com Benzovaque

A leitura das Gargalhadas.com, no blogue da Bárbara (Cokas) lembrou-me esta pequena história.
O ano era, se não estou em erro, o de 1957. O ano da epidemia de gripe asiática. Até as escolas fecharam e na minha casa estávamos todos doentes, com excepção do meu Pai.
Um dia, pela manhã, o meu Pai levantou-se com dor de garganta e foi, consternado, que disse à minha Mãe que achava que estava também a ficar com gripe. A minha Mãe, a arder em febre – foi a mais atacada pela doença – disse-lhe vagamente que, no balcão da cozinha, num frasco de sais de frutos Eno, estava um preparado que o médico mandara aviar, na farmácia, para gargarejar. Que dissolvesse duas colheres de sopa num copo de água e que gargarejassse. O meu Pai assim fez. Antes de sair de casa, comentou com a minha Mãe que o preparado tinha um gosto bastante estranho e que parecia que se evaporava quando tocava os lábios. Só meia hora ou mais depois é que a minha Mãe achou estranho o comentário do meu Pai. O produto era à base de mentol e eucalipto e tinha um gosto agradável. Assim, muito a custo, resolveu ir à cozinha, onde encontrou o copo e o frasco ao lado. Efectivamente um outro frasco de sais de frutos Eno, que estava, não no balcão da cozinha, mas da marquise, e que continha benzovaque, uma benzina especial que, na altura, se usava para tirar as nódoas da roupa.
O meu Pai nunca apanhou a gripe asiática.

9 Comentários:

Blogger Formiga Rabiga disse...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

sexta-feira, dezembro 02, 2005 1:27:00 da manhã  
Blogger Formiga Rabiga disse...

Laura,
Todos tão preocupados com a vacina para a gripe das aves e o tratamento afinal é tão simples. Amanhã vou já comprar meio litro de benzina para o que der e vier : )))
Coitado, deve ter sido terrível : )

sexta-feira, dezembro 02, 2005 1:28:00 da manhã  
Blogger Carlota disse...

Esta história tem de ser rapidamente levada aos cientistas que estão a investigar a gripe das aves!
Beijolas

sexta-feira, dezembro 02, 2005 2:15:00 da tarde  
Blogger Madalena disse...

Giro foi mesmo ouvir a Laura contar esta história, ao vivo e a cores. Obrigada pela visita!
Um beijinho para ti!

sexta-feira, dezembro 02, 2005 11:24:00 da tarde  
Blogger Torquato da Luz disse...

Lembro-me de que também não apanhei a gripe asiática, que atacou quase todos os meus amigos de colégio. Mas eu, que saiba, não tomara benzovaque, pelo que o motivo deve ter sido outro...
Um beijinho, Laura.

sábado, dezembro 03, 2005 12:03:00 da tarde  
Blogger CP disse...

Muito bom.

domingo, dezembro 04, 2005 1:18:00 da tarde  
Blogger Periférico disse...

Com Benzovaque você resiste a qualquer ataque! Podia ser o slogan!;-)

Beijos

quarta-feira, dezembro 07, 2005 10:57:00 da manhã  
Blogger lilla mig disse...

Já pensaste vender a ideia à indústria farmacêutica? ;) Beijinhos

quarta-feira, dezembro 07, 2005 2:46:00 da tarde  
Blogger António disse...

A leitura desta história fez-me lembrar uma regra de ouro para a arrumação de substâncias.
Devem sê-lo sempre, mas sempre, em recipientes com uma etiqueta onde o nome esteja bem visível.
Já houve quem morresse por causa de enganos desses.
(desculpa; mas acordei agora e devo estar com vontade de dar lições...eh eh)

Obrigado pela tua visita à padaria da minha bisavó.
O que acho giro é que isto se passou no tempo das mulheres oprimidas pelos homens prepotentes e dominadores...eh eh

Beijinhos

sábado, dezembro 10, 2005 8:55:00 da manhã  

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