sexta-feira, novembro 04, 2005

Respigos de África - XX

Na nossa casa da Beira não tínhamos água canalizada. Enterrada no chão, havia uma cisterna que, através de caleiras, armazenava a água da chuva. Quando começava a chover deixava-se que as primeiras águas lavassem bem as ditas caleiras e só depois as cisternas eram abertas e assim permaneciam toda a época de chuva. Essa era a água que consumíamos e que nunca faltava durante todo o ano. Como o meu Pai achava que a água da chuva era pobre, adquiria carris velhos e ferrugentos, quando faziam as substituições das linhas férreas, que introduzia na cisterna para lhe adicionar ferro. Através duma bomba manual (que eu adorava accionar, embora ficasse encarrapitada lá no alto porque não tinha peso suficiente para descer), a água era levada para uns depósitos colocados no telhado e daí abastecia a casa. A água destinada a ser bebida passava previamente por um filtro. Tinha a forma dum cilindro feito em cerâmica cor de ocre, ou terracota, não sei, e estava pousado numa banqueta, na cozinha. Tinha uma torneira em cobre sempre impecavelmente brilhante. Sei que era de fabrico inglês e não me importaria nada de o ter hoje a enfeitar a minha cozinha. Era uma peça indubitavelmente bonita.

4 Comentários:

Blogger Madalena disse...

Que giro! Mas até as águas das chuvas hoje já não são o que eram, Laura. Hoje há chuvas que não são saudáveis nem puras, como eram as do nosso tempo em África. Felizmente a água está a voltar às nossas albufeiras, mas com problemas dos fogos de verão.
Um beijinho grande para ti!

domingo, novembro 06, 2005 9:01:00 da manhã  
Blogger Pitucha disse...

Bruxelas vendia água da chuva e Portugal sol em garrafinhas...
E porque não?

segunda-feira, novembro 07, 2005 7:56:00 da manhã  
Blogger lena disse...

:)))

segunda-feira, novembro 07, 2005 5:31:00 da tarde  
Blogger Luh disse...

Obrigada por me lembrar coisas...O filtro que tinhamos no mato...

terça-feira, janeiro 03, 2006 1:28:00 da tarde  

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