sábado, novembro 12, 2005

"África Selvagem"

No primeiro Sábado de cada mês há, na Figueira da Foz, uma feira de velharias. Quando acontece lá estar, nunca deixo de ir bisbilhotar aquele mundo que, não sei por que razão, me fascina. Observo todas aquelas velharias e espanta-me ver os preços que certas peças atingem – algumas iguais existiram em casa dos meus pais ou dos meus avós e não mereceram como destino mais do que o caixote do lixo, como, por exemplo, louça de Sacavém, mas partida. Nem me lembro de ter lá comprado nada, com excepção de uma pequena chave bem ferrugenta, a pedido de uma amiga que tinha mandado restaurar um móvel antigo e que dela precisava.

E com excepção também de livros. Aparecem alguns alfarrabistas com obras bem interessantes.
A razão deste escrito é, na realidade, a aquisição de um livro de Maria Archer, intitulado “África Selvagem”. O livro, editado pela Guimarães & C.ª - Editores, s/d [1935], tem 253 páginas, das quais o dono anterior apenas cortou 88 páginas (há tanto tempo que não pegava no corta-papel para cortar as restantes!).
Segundo a própria autora: “São paradigmas do folclore africano os contos que agrupei neste livro, muito vulgarizados entre os aborígenes de Angola, e que coligi em Luanda” (p. 9).
Muito curioso achei o capítulo “Provérbios” (p. 161), de que transcrevo alguns:
LUANDA
- O pau que mergulham na água não perde toda a casca ( a água não tira todas as nódoas);
- Notícia que vem de longe gasta-se pelo caminho (as notícias deformam-se com o tempo e as pessoas que as transmitem);
- O macaco não repara no seu rabo (ninguém vê os seus defeitos);
- O homem mostra a cara e esconde o coração (as aparências iludem);
HUÍLA
- Comam, alegrem-se, dancem. A vida é só isto! (materialismo);
LUNDA
- Onde está o leão não dá à luz a cabra (os poderosos oprimem os pequenos);
- A folha caída da árvore não torna a prender-se nela (a amizade que se quebra não mais se liga);
CABINDA
- A água amolece a terra, apodrece o pau, não faz mal à pedra (os fortes resistem).

8 Comentários:

Blogger luis manuel disse...

No último Sábado de cada mês, bem perto, aqui em Coimbra também tem uma vastissima Feira de Valharias.
Na velhinha Praça do Comércio.
Será bem vinda

Um abraço

segunda-feira, novembro 14, 2005 11:41:00 da tarde  
Blogger Madalena disse...

Laura, vou mostrar ao Jorge esse provérbio da Lunda... Lá leão é ele!
Beijinhos para ti!

terça-feira, novembro 15, 2005 9:57:00 da manhã  
Blogger Carlota disse...

Ontem à noite estive aqui, como hoje, para agradecer e retribuir a visita.
Quanto aos provérbios, sempre os apreciei pelo seu poder de síntese. Gostei especialmente dos da notícia e do macaco.
Beijinho e até breve!

terça-feira, novembro 15, 2005 3:30:00 da tarde  
Blogger Pitucha disse...

Eu adoro esse género de feiras.
Beijos

quarta-feira, novembro 16, 2005 7:30:00 da manhã  
Blogger BEG disse...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

quinta-feira, novembro 17, 2005 3:33:00 da tarde  
Blogger BEG disse...

Muito interessantes os provérbios que aqui deixou. Não conhecia nenhum. Vivendo e aprendendo.
Obrigada. Abraço de uma beirã.

quinta-feira, novembro 17, 2005 3:34:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Agradeço a visita. Onde posso retribuir?
Beijos

sexta-feira, novembro 18, 2005 8:57:00 da manhã  
Blogger BEG disse...

Eu não tenho um blog, melhor dizendo, tenho o blog do meu filhote: o Francisco - http://francisco.skynetblogs.be

sexta-feira, novembro 18, 2005 10:37:00 da manhã  

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