sábado, outubro 15, 2005

Respigos de África - XVIII

Beira, anos quarenta

Cada criado tinha direito, por dia, a um quilo de fuba (farinha de milho) e a uma determinada quantia em dinheiro para adquirirem carne, camarão ou peixe que, depois de secarem ao sol, confeccionavam em caril. No chão do quintal, sentavam-se todos à volta da panela em ferro, com a fuba, e dum prato em alumínio, com o caril. Com as mãos faziam uma bola de fuba que molhavam no caril e comiam. Acreditem que era divinal já que, sempre que conseguia escapar, ia, às escondidas, comer um bocado, não obstante os inúmeros raspanetes da minha mãe, que achava a comida imprópria para crianças e quiçá para adultos também. Não me lembro de alguma vez ter ficado indisposta. Se tal tivesse acontecido, decerto não me lembraria, com tanta saudade, de tão bom repasto.

Sempre que aparecia uma boca a mais para comer, como, por exemplo, o criado dos meus tios, quando estes se deslocavam do Búzi à Beira, lá estava o cozinheiro a lembrar que precisava de mais um quilo de fuba e de mais dinheiro, por cada dia que lá passasse. No entanto, se algum dos criados ia à terra, a comida nunca sobrava. Desaparecia como por encanto.
Ficaria por conta da que eu comia?

3 Comentários:

Blogger lilla mig disse...

:) Gosto muito das tuas histórias, Laura!

segunda-feira, outubro 17, 2005 5:06:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Lilla
Muito obrigada e muitos beijinhos

segunda-feira, outubro 17, 2005 6:14:00 da tarde  
Blogger Madalena disse...

Esta história dá saudades muito saborosas...
Beijinhos para ti, Laura!

terça-feira, outubro 18, 2005 11:08:00 da tarde  

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