sexta-feira, setembro 30, 2005

Respigos de África - XIV

Os rabos das lagartixas
Perto de nossa casa, na Beira, havia a praia dos ingleses e a praia dos alemães. Mais longe havia a do Macúti, mas a essa tínhamos de ir de jeep. A praia dos ingleses, por ser a mais próxima, era a que frequentávamos. As barracas (era mesmo assim que se chamavam) eram uma espécie de chapéus de sol, com o pau em madeira e cobertos de colmo. Por vezes, éramos visitados por hipopótamos que desciam o rio Pungué, que vinha aí desaguar. De quando em quando também apareciam tubarões. Na altura ainda não havia redes e lembro-me de ter havido alguns acidentes, mas sempre por incúria e desrespeito. À beira mar, quando a onda descia, eram inúmeras as conchinhas (uma espécie de conquilhas, mas não sei ao certo) e inúmeros os pequenos caranguejos, que furavam a areia, talvez para se esconderem.
Para chegarmos à praia tínhamos de atravessar uma mata de acácias, com lindas flores vermelhas (completamente diferentes das acácias de cá), onde existiam centenas e centenas de lagartixas. Um dia, alguém me disse que se lhes cortasse o rabo, este crescia. Tinha, então, seis ou sete anos. Logo combinei com a minha irmã passarmos a cortar todos os que conseguíssemos. Foram muitas as lagartixas que, coitadas, ficaram sem rabo. Mas nunca cheguei a nenhuma conclusão. O que é certo é que jamais encontrei nenhuma sem rabo!

2 Comentários:

Blogger Pitucha disse...

Da facto! Crescerão muito depressa?
Beijos

sexta-feira, setembro 30, 2005 4:46:00 da tarde  
Blogger t-shelf disse...

Parece-me mais um daqueles mitos da natureza...bjs gostei de saber que também havia double-deckers por cá

sexta-feira, setembro 30, 2005 7:07:00 da tarde  

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