segunda-feira, setembro 05, 2005

Requisitar uma almofada

Da leitura do que a Madalena escreveu sobre justificação de faltas e da impossibilidade de, muitas vezes, se poder aduzir o verdadeiro motivo, lembrei-me desta história deliciosa passada ainda no tempo do Salazar.
Havia normas muito rígidas que determinavam a autorização, ou não, de aquisição de material nos serviços públicos, visando sempre a contenção rigorosa de despesas. Assim, era completamente proibida a aquisição de almofadas para as cadeiras, todas em madeira de pinho e não almofadadas. Mas se, da requisição, em vez de uma almofada, constasse: um quadrado em espuma com 40 cm, altura de 6 cm, revestido a tecido, o pedido era rapidamente satisfeito...

6 Comentários:

Blogger t-shelf disse...

O espírito inventivo português pronto a contornar as dificuldades sempre nos vai dando alguma razão para sorrir...

segunda-feira, setembro 05, 2005 1:19:00 da manhã  
Blogger Pitucha disse...

O que é preciso é imaginação...
Beijinhos

segunda-feira, setembro 05, 2005 8:56:00 da manhã  
Blogger Madalena disse...

"um quadrado em espuma com 40 cm, altura de 6 cm, revestido a tecido" na ideia de quem padece de ausência patológica de imaginação não é almofada coisa nenhuma... :)))
Um beijinho grande!
(Boa conversa a nossa, não foi?)

segunda-feira, setembro 05, 2005 9:07:00 da manhã  
Blogger espumante disse...

Laura Lara

Tive uma professora (uma D. Lurdes que Deus terá em bom recato, a não ser que ela não tenha resistido a ensinar boas maneiras aos anjinhos todos e a tenha despachado para um purgatoriozinho não muito violento)cujas dimensões não se compaginariam jamais com os 4 cm de espuma. Mas jamais. TenhO a certeza que a burocaracia da época contemplaria estes casos e possibiliraria o recurso a uma alínea x do parágrafo Y, onde se explicitaria os casos em que os 4 cm de altura e os 40 cm (suponho que de lado...) poderiam ser alterados desde que a professora fizesse prova de que a sua base de assento ultrapassase determinadas medidas :)))
Era uma querida a D. Lurdes! Deu-me sempre vintes nas passagens de classe e dizia para quem queria ouvir que eu havia de ir longe. Claro que acertou... do Bairro da Encarnação fui para tão longe quanto uma carta de chamada para Moçambique permitia (carta de chamada para o pai, claro...).
E esta conversa toda a propósito da necessidade (ou não) das professoras precisarem de uma almofada para se sentarem. Sempre achei que as professoras tinham um desmesurado índice de exigência... tão desmesurado quanto a "base" da tal D. Lurdes, de quem guardo a melhor das recordações. É que... além de me ensinar a ler e a escrever ensinou-me as boas maneiras e um sentido de rigor que hoje não são muito vulgares. Mas provavelmente sou eu que estou a ficar velho e tenho a mania.
Beijinho para ti :)))
P.S. Cheguei agora do almoço e achei o teu post o máximo. Define-nos bem...

segunda-feira, setembro 05, 2005 3:15:00 da tarde  
Blogger Laura Lara disse...

Espumante
Até fiquei a gostar da D. Lourdes. E quanto às medidas, acho que as cadeiras é que as determinavam. A D. Lourdes dava as aulas de pé?
O teu comentário é que está o máximo.
Beijinhos

segunda-feira, setembro 05, 2005 4:09:00 da tarde  
Blogger Bárbara Vale-Frias disse...

:) Sempre me lembro de dar aulas em cadeiras de madeira, por todos as escolas por onde passei. Só nesta última, onde efectivei, é que, de vez em quando, lá me calha uma aulita numa sala com cadeira almofadada ;)

Mas este post está mesmo muito bom! Ainda bem que nos descobrimos na blogosfera :)

terça-feira, setembro 06, 2005 8:50:00 da tarde  

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