quinta-feira, julho 28, 2005

Estou perplexa!

Há muitos, muitos anos, quando fiz a 4.ª classe (era assim que se chamava), tínhamos um livro de História de Portugal, onde apareciam todos os reis de Portugal. Cada rei tinha direito ao seu “retrato” e ao seu cognome (pareciam-me mais ou menos iguais, mas também eram quase todos descendentes uns dos outros, por isso não tinha que me admirar, pensava eu). Cada reinado sumariava os factos mais importantes e as respectivas datas. Podíamos não estudar quase nada, mas nunca me ocorreria não saber que:
- D. Afonso Henriques tinha sido o primeiro rei de Portugal e D. Manuel II o último;
- houve quatro dinastias – afonsina, de Avis, filipina e bragantina;
- D. Dinis mandou plantar os pinhais de Leiria e da Azambuja;
- etc., etc., etc.;
- que os Filipes I, II e III eram espanhóis, ocuparam uma dinastia inteirinha e não tinham direito a Dom.

Mas, ontem, num concurso na RTP 1, ocorreu à concorrente não saber o nome do rei que sucedeu a Filipe I.

Estou perplexa! Culpa de quem? Minha, é claro, que não sei que hoje se aprendem coisas muito mais úteis!

quarta-feira, julho 27, 2005

Respigos de África - V

Dito ao meu pai, há muitos, muitos anos, em Moçambique:
- Patrão, primeiro, éramos pretos, depois, passámos a ser negros, a seguir, fomos nativos, mas, patrão agora sermos autóctones... que palavra difícil, o que é isso?

L'Etat

"L'Etat, c'est la grande fiction à travers laquelle tout le monde s'efforce de vivre aux dépens de tout le monde."
Frédéric Bastiat

quinta-feira, julho 21, 2005

Onde adquirir?

Se os blogs pudessem ser adquiridos em “kits”, adivinho que os da Lady Madalena e do Sir Espumante são, de certeza, do Harrods, o do Incompetente é, sem dúvida, do Liberty, o meu é, obviamente, duma lojeca de chineses, o da Pitucha é... fiquei cansada de pensar. Cansar não é exclusivo de ministros, pois não? Vou descansar, que estou de férias.

terça-feira, julho 19, 2005

Helena

Ontem chegou-me uma estrela. Mais uma sobrinha neta. Nasceu no dia 18 de Julho. Não encontraste um mundo bonito. Mas tenho a certeza de que a tua presença o fará mais belo. Muitas felicidades, Helena.

sexta-feira, julho 15, 2005

Estou de férias

Desde Sábado passado que estou de férias. Esta a razão por que dei férias ao blog. Daqui desta bela Praia da Claridade, deixo a todos um beijinho. Até breve que as férias são curtas.

quinta-feira, julho 07, 2005

Londres - 7 de Julho - Estou de luto

Brota esta lágrima e cai.
Vem de mim, mas não é minha.
Percebe-se que caminha,
sem que se saiba aonde vai.

Parece angústia espremida
de meu negro coração,
- pelos olhos fugida
e quebrada em minha mão.

Mas é rio, mais profundo,
sem nascimento e sem fim,
que, atravessando este mundo,
passou por dentro de mim.

Cecília Meireles

quarta-feira, julho 06, 2005

Respigos de África - IV

O capataz tinha por missão tomar conta do pessoal duma plantação de algodão. O trabalho do pessoal era pesado e exigia toda a sua atenção para que fosse feito depressa e bem. No entanto, passar os dias preso naqueles campos não era o ideal de vida do capataz. Preferia estar na cidade com os amigos, beber umas cervejas, comer uns camarões e gastar conversa. Anos antes, num acidente, havia ficado sem um olho, pelo que usava um em vidro. E foi deste infortúnio que lhe surgiu a ideia que viria a solucionar o seu problema. Uma manhã lá apareceu no trabalho, munido de um enorme escadote em madeira. Subiu, pediu a atenção de todo o pessoal e, em voz bem alta, disse: - Pessoal, hoje não posso ficar, mas deixo aqui o meu olho a tomar conta... logo que possa volto! E tirou o olho de vidro que, cuidadosamente, colocou no topo do escadote, em cima dum lenço branco, bem dobrado. E ainda repetiu: – Olhem que eu vou, mas o meu olho fica aqui a ver tudo! E foi assim que o seu trabalho passou a ser ir de manhã colocar o olho no cimo do escadote e regressar à tarde para o recolher. Todo o pessoal trabalhava afincadamente, já que não se questiona capataz e muito menos capataz com cuxe-cuxe.

O que deixo aqui escrito passou-se perto da Beira, há cerca de uns setenta anos, e foi o meu pai que me contou.

segunda-feira, julho 04, 2005

"Mad Maria"

Não são muitos os programas de que gosto na televisão. Mas há alguns. Como a série brasileira “Mad Maria”, que a Sic está a transmitir aos Sábados e Domingos. Desculpem, não é aos Sábados e Domingos, é aos Domingos e às Segundas, pelas horas tardias a que os episódios são exibidos, sem direito a repetição, em horário mais adequado para quem trabalha. E não me digam que é por conter cenas chocantes e violentas, já que mais chocante e violento que o noticiário dificilmente há.

sexta-feira, julho 01, 2005

Respigos de África - III

Um tio meu era administrador de circunscrição no Búzi, em Moçambique. Dentre as várias atribuições que lhe estavam conferidas, a judicial era uma delas. Pouco tempo depois de ocupar o cargo, teve que resolver um milando. Como, nessa altura, ainda não conhecia a língua da região, impôs-se a ajuda dum intérprete. Reunidas as partes, cada uma começou a dizer de sua justiça. O tempo ia passando, ia passando, sem que nada lhe fosse explicado, na nossa língua, até que o meu tio, já admirado, perguntou ao intérprete:
- Mas, então, o que se passa? O que é que eles estão a dizer? Porque não traduzes?
Resposta rápida do intérprete:
- Patrão, eles ainda não disseram nada; por enquanto só falaram!!