terça-feira, junho 28, 2005

Respigos de África - II

O nosso cozinheiro, na Beira, chamava-se Sande. Não sabia ler nem escrever. Mas digam lá se era ou não era um rapaz de rara inteligência? Quando entrei para a minha primeira classe, levava, como pedido seu, relatar-lhe, dia a dia, o que me haviam ensinado. E foi assim que, mal chegava a casa, ia mostrar-lhe o livro, o caderno e, ao pé dele, fazia o trabalho de casa, em caderno de duas linhas. A minha mãe acabou por lhe dar material escolar e ambos fazíamos o mesmo.
Quando aprendi a ler, o Sande aprendeu a ler.
Quando aprendi a escrever, o Sande aprendeu a escrever.

5 Comentários:

Blogger Madalena disse...

Que ternura!
Em qualquer parte do mundo, a história seria linda. Mas tendo sido vivida e sabendo que não é uma história inventada, ainda se torna mais comovente!
Beijinhos comovidos Laura!

terça-feira, junho 28, 2005 11:26:00 da tarde  
Blogger lilla mig disse...

Que espectáculo, Laura! Continua a partilhar essas tuas lindas histórias! Um grande beijinho! :)

quarta-feira, junho 29, 2005 7:48:00 da manhã  
Blogger Bárbara Vale-Frias disse...

Não sei há quanto tempo isso foi mas posso dizer-te que minha Mãe viveu novamente em Moçambique de 98 a 2001 e ainda ensinou alguns dos seus criados a ler!

terça-feira, setembro 06, 2005 9:34:00 da tarde  
Blogger Minô disse...

Olhe Laura, gostei de ler o episódio do Sande, que me comoveu profundamente, pois ensinei o meu muana "Gabriel" a ler e escrever e até tinha uma caligrafia melhor que a minha que ainda hoje é horrível.O meu pai tinha o Restaurante Luso e os empregados eram todos de cor e todos o adoravam, foram sempre bem tratados.Morei longos anos em frente ao colégio Camões na Ponta-Gea e de lá casei. O Gabriel foi ao meu casamento já casado e a mulher grávida. Infelizmente após o 25 de Abril prenderam o nosso Gabriel por não concordar com os ideais da Frelimo, o meu pai ainda tentou salvá-lo mas nada conseguiu. Mataram-no na cadeia e ficou a mulher com o filho na barriga ainda uma criança, pois só tinha 17 anos. Fora deste episódio tenho muitas saudades daquela terra e adoraria voltar lá, mas infelizmente a vida financeira não me sorriu em Portugal. Não a conheço mas gostei muito dos seus depoimentos e resolvi dar um ar da m graça
Bjs
Minô

terça-feira, abril 17, 2007 11:59:00 da manhã  
Blogger Laura Lara disse...

Minô
Agradeço a tua visita e as tuas palavras tão bonitas. Tentei aceder ao teu blogue, mas sem êxito.
Continua a aparecer.
Beijinhos beirenses

terça-feira, abril 17, 2007 5:28:00 da tarde  

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