quarta-feira, junho 29, 2005

Manuel da Gardunha

O meu Tio Manuel (Manuel da Gardunha, como gostava de assinar), morreu há dois anos, praticamente cego, com 86 anos de idade. Até ao fim da vida, não deixou de versejar. Estou a tentar decifrar os seus últimos versos. Como não via, há palavras, até linhas, sobrepostas, tinta que faltou, mas a minha vontade de deixar gravado este fim de obra é grande e hei-de consegui-lo. Adorava este meu tio e já que a saudade me bateu hoje à porta, apeteceu-me deixar aqui algumas quadras suas sobre “Saudade”:

Esta palavra saudade
Tem encanto e magia,
Traz tristeza e alegria
E até ansiedade.

Em prol da veracidade
Dirá quem tem a certeza,
Que somente é portuguesa
Esta palavra saudade.

Esta palavra saudade
Faz voltar aos corações
Mui belas recordações
Dos tempos da mocidade.

Esta palavra saudade
Acompanha-me na vida.
Lembra a nunca esquecida
E finda felicidade.

Esta palavra saudade
Com sete letras escrita,
Ouvida sempre e dita
Com amor e humildade.

Esta palavra saudade
Só a digo a chorar.
Dita de outra maneira
Não a sei pronunciar.

Não a sei pronunciar
Se triste me não sentir.
Se fosse de outro modo
Estaria a fingir.

Esta palavra saudade
É a imagem do passado,
Indicando realmente
Se foi mal ou bem gozado.

Se foi mal ou bem gozado
Com tristezas e alegrias
E sucedidas ao longo
Dos anos, meses e dias.

Esta palavra saudade
Das outras é diferente
E com artes de magia
Faz do passado presente.

Faz do passado presente
No tocante a emoções,
E nos trazem à memória
Antigas recordações.

Esta palavra saudade
Por uns é muito amada
E por outros, ao contrário,
Sempre será odiada.

2 Comentários:

Blogger Ana disse...

É sempre bom recordar uma pessoa que nos foi muito especial...

quinta-feira, junho 30, 2005 11:23:00 da manhã  
Blogger Madalena disse...

A Saudade aparece assim, sem bater à porta!
Beijinhos para ti, Laura!
Se não fosse a irreversabilidade de alguma saudade...

quinta-feira, junho 30, 2005 1:48:00 da tarde  

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