domingo, março 05, 2017

segunda-feira, dezembro 26, 2016

5 pedras musicais


Continuo sentada nos cinco degraus da nossa casa



Uns raios de sol mostraram-me o fundo do mar, alcatifado de seixos de cinco cores e cinco texturas Emitiam sons musicais num roçar contínuo. Sentada nas escadas, tento chegar a uma harmonia de sons, vinda de além.



Era um jogo diferente das cinco pedrinhas, o jogo da sua vida.

segunda-feira, setembro 12, 2016

A nossa varanda africana


Era linda a nossa varanda.

Encerada a cera vermelha.

Parecia um espelho.

Da sala saía-se para a varanda,

e andando um pouco mais contornava-se o que me parecia um cotovelo.

Procurei um bocadinho de parede e rabisquei o meu nome.

Aconteceu no ano de 1944. Um dia vou voltar e vou achar o meu nome rabiscado na parede.


segunda-feira, agosto 08, 2016

Vou… Vou andando


Escrevo… vou escrevendo: um texto, outro texto, mais um, mais outro, ainda outro e:
Escrevo acerca de um leão que fede, depositado no chão de uma garagem.
Escrevo, sentada nos cinco degraus, encerados a cera vermelha que acedem a casa dos meus pais.
Olho ao longe e vejo o horizonte pintado a cor de fogo e aplico-lhe uma grelha, pintada a sete fulgurantes cores: verde, vermelho violeta, amarelo, azul, laranja e anil.
Gostava de adivinhar o que está para além desta amálgama de cores.

Metia os pés para dentro, pousava as mão nos joelhos. Dava mais equilíbrio, dizia-se.
Vislumbro uma teia de aranha, cheia de gotas de água, quais diamantes puros. Torno a olhar o horizonte. Que incêndio brutal. Tudo brutal.
Vou escrevendo. Parece fogo de artifício.
Chega a hora do lanche

segunda-feira, junho 20, 2016

O balão cor de rosa ou azul?


O balão entrou na sala, vindo não sei de onde, já que tudo está hermeticamente fechado.

Atrás dele duas crianças, lindas quais anjos chegadas de um céu azulíssimo, corriam de lá para cá e de cá para lá.

O balão azul representa a minha vida até ao AVC. O balão cor de rosa encerra a minha vida desde então.

Bocadinhos de vida. Bocadinhos de alegria. Bocadinhos de tristeza. Azul. Cor de rosa

O azul ficou mais azul. O cor de rosa mais para vermelho. Tudo está nos balões.

Qualquer dia rebentam.

segunda-feira, maio 16, 2016

Mais cinco pedrinhas


Têm vida?

Parece que sim, já que vejo uma a mexer-se.
Parece, mas não está realmente a mexer-se. Há quatro pedras imóveis e uma que se mexe. Há uma que tem umas patinhas que se evidenciam por baixo. É um caranguejo que se move por baixo e põe todas as pedras num movimento contínuo.
Faz uma cruz – quatro pedrinhas colocadas verticalmente e três postas horizontalmente –.

Continuo o jogo das cinco pedrinhas.

Continuo o jogo da minha vida.

segunda-feira, maio 02, 2016

Cinco pedrinhas


Estou sentada à beira mar, perscrutando o horizonte.

Uma onda, debruada a espuma branca, aproxima-se do espaço onde me encontro levando à minha cabeça a imagem de um tsunami (qual a razão por que deixou de se chamar maremoto, pergunto-me, sem resposta).

A onda, ao recuar, escavou um sulco que passou a ser o abrigo das cinco pedrinhas: da cinzenta, da amarela (pareciam ambas vomitadas dum qualquer vulcão em erupção), da cor de rosa, da transparente, (tão linda que mais parecia um diamante).

A onda deixou este rasto: a pedrinha cinzenta continuou igualmente cinzenta. A pedrinha amarela, amarela. A pedrinha cor de rosa, cor de rosa, captou onze raios de sol e ganhou alguns laivos dourados. Achou-se mais rica e escondeu-se na palma da minha mão.

Foi jogar às cinco pedrinhas. Tudo é um jogo. A vida é um jogo.